Grupo H – Polônia, Senegal, Colômbia e Japão – Análise

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O último grupo da Copa é também um dos mais interessantes do torneio. A Colômbia tem um futebol interessante, leve e bom de se ver, foi a equipe mais suculenta da última Copa e manteve sua base, conseguiu até evoluir de forma interessante, com um belo trabalho de José Pékerman, que soube organizar e canalizar a criatividade colombiana em um estilo de jogo bonito e competitivo. Já a Polônia é um time ofensivo e que acaba tomando muitos gols, foi a defesa mais vazada de todas as europeias classificadas para a Copa, tem uma certa dependência do craque Lewandowski, artilheiro das eliminatórias, mas mesmo assim é uma seleção muito competente que deve brigar pelo segundo lugar com Senegal, uma das seleções africanas mais fortes do mundial. Contrariando o estereótipo de seleções africanas que são desorganizadas defensivamente, Senegal é um time bem equilibrado, de muita velocidade e força. A única seleção africana treinado por um jogador natural do país, o ex-capitão daquela seleção senegalesa que encantou o mundo em 2002, Cissé. Fechando o grupo, o Japão, vai brigar pelo posto de pior seleção da Copa com muita garra e dedicação, um desastre defensivo que aposta na velocidade dos contra-ataques e na boa articulação de Honda e Kagawa mais a frente.

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Sem ir à uma Copa desde a Alemanha em 2006, a Polônia chega à Rússia com uma certa instabilidade, o time toma muitos gols, mas também vence muitos jogos, tudo graças ao faro de gol de um dos melhores centroavantes do mundo, Lewandowski, que marcou 16 vezes nas eliminatórias europeias. Isso pode ser encarado como um bom sinal, afinal, quem não quer um craque desses na sua seleção, ou como um mau sinal, uma vez que o time tem uma dependência muito grande do capitão e camisa 9 do Bayern de Munique, o que acaba por gerar certas fragilidades. Uma boa marcação ou uma lesão na estrela do time e tudo vai por água abaixo, basicamente a Polônia é Lewa mais dez.

Foi a primeira colocada do Grupo G das eliminatórias europeias, um grupo que era bem fraco, mesmo tendo a boa Dinamarca. De todas as seleções classificadas da Europa foi a que mais tomou gols, foram 14, incluindo quatro na goleada sofrida para a Dinamarca, em um 4 a 0 que contabilizou a sua única derrota. Na Euro em 2016 foi eliminada nos pênaltis pela campeã Portugal nas quartas, ou seja, mesmo aos trancos e barrancos, trata-se de uma seleção muito competitiva. Joga com 3 zagueiros para que o meio apoie de forma mais intensiva e para que também a defesa consiga ocupar o campo adversário. É um time que tenta ter a posse de bola e joga bem aberto com Grosicki e Kuba nas pontas e por vezes se aproximando de Lewandowski para triangulações e passes curtos, que aliás, é uma característica do time como um todo.

Deu certa sorte no sorteio e viu suas chances aumentaram por não dividir o grupo com nenhuma outra seleção de peso, mas precisará se mostrar tão forte quanto a Polônia ouro nas Olimpíadas de 72, para sonhar com uma vaga nas oitavas, imaginar algo além disso é demais para esse time polonês.

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Seleção africana com maiores chances de classificação junto ao Egito, na minha humilde visão. Está em um grupo que a permite sonhar fazer uma campanha tão grandiosa quanto a de 2002 quando venceu o primeiro jogo contra a campeã França na primeira fase, colaborando com a eliminação precoce dos “Bleus” e só foi parada nas quartas pelo bizarro golden gol que a Turquia marcou na prorrogação. E não só por estar em um grupo de dificuldade média é que Senegal tem boas chances, o time é bom e portanto é uma boa ficar de olho no time africano, que com certeza fará belos jogos nesta Copa, inclusive com ótimas chances de deixar a Polônia para trás e brigar pelo segundo lugar do grupo.

O time é muito forte fisicamente e geralmente vem bem postada na defesa, aproveitando da força para fazer pressão alta nos ataques adversário, espera o jogo e sai com muita velocidade nos contra-ataques. Tem uma organização que joga no lixo aquele estereótipo mofado de que seleções africanas são extremamente desorganizadas, com uma ofensividade absurda e muita correria. Não, Senegal tem quase todos os seus jogadores atuando na Europa e um elenco composto por muitos talentos, inclusive o técnico, um dos poucos comandantes africanos a frente da sua seleção nacional, aliás, uma das estrelas daquela seleção de 2002, CIssé. O ex-jogador organizou a casinha e joga em um 5-3-2, a frente Diouf, jogador com ótimas arrancadas, centralizado com o destaque da equipe, Mané. A dupla de ataque não ajuda na defesa, tarefa para os 5 defensores e os 3 meias, que quando têm a bola, lançam os poupados atacantes, assumindo uma postura de jogo mais reativa, que ás vezes sobe bastante a marcação e faz muita pressão para roubar a bola mais à frente. Na Copa das Nações Africanas o resultado final não veio, foi eliminado pelos campeões Camarões nos pênaltis, com um chute desperdiçado por Mané, mas de qualquer forma, Senegal pratica um futebol muito competitivo e de talento e deve proporcionar divertidas horas à frente da TV.

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Chegou a hora de falar do time mais legal da última Copa e dona da torcida mais fantástica do mundo, fato! A Colômbia. Seleção que na Copa de 2014, segundo a opinião deste modesto escritor, desempenhava o melhor futebol do torneio, o mais vistoso, ofensivo, objetivo, com muita velocidade, talento, criatividade e habilidade. Muitos passes, boas jogadas, um futebol leve e com uma alegria que contagiava, chegou às quartas de final com a revelação do torneio, James Rodríguez, e aí o fator casa e a camisa do Brasil pesaram. A Colômbia não reencontrou o seu bom futebol, não jogou nem 10% do que vinha jogando e caiu, uma pena, porque nesse caso também existe um componente emocional aqui, o primeiro jogo de Copa do Mundo que vi na minha vida foi Colômbia e Grécia no Mineirão, 3 a 0, e sim, o primeiro gol de Copa visto in loco por esse que vos fala foi marcado por Pablo Armero, seguido de “Armeration” e tudo mais, com 50 mil colombianos ensandecidos no estádio cada um com um coração maior que o outro, uma experiência foda …deixa eu limpar essa lágrima aqui e seguir com o texto.

Momentos íntimos a parte, a missão da Colômbia nesta Copa é repetir o futebol suculento da Copa no Brasil e acreditar que a própria camisa pode um dia entortar varal também, para que o seu futebol não encolha em grandes momentos como é tradicional acontecer. Futebol para surpreender e se tornar a quarta campeã da América do Sul ela tem, mesmo não sendo uma das favoritas. A essência dessa seleção colombiana é a criatividade, que encontrou no talentoso comandante argentino José Pékerman, a sensibilidade de compreensão desse fato e a visão para criar um sistema de jogo que dê espaço e liberdade para que essa criatividade faça a seleção colombiana crescer e ser ainda mais competitiva.

Um dos times mais flexíveis dessa Copa é também um time com muitos talentos, Mina, Cuadrado, James Rodríguez, Falcão Garcia, Ospina, entre outros, só podia dar em um time muito intuitivo, com jogadores livres para participar do jogo antes de cumprirem algum posicionamento pré determinado, jogando bem próximos da linha defensiva adversária com muita velocidade, triangulações e criatividade acima da média, ocupando bem os espaços e envolvendo os adversários. Defensivamente é um cobertor curto, por isso ao perder a bola no campo adversário, com inclusive zagueiros posicionados ofensivamente, a Colômbia procura reagir rapidamente e tem uma das pressões em recuperação de bola mais intensas do mundo. É um time que com certeza vale estourar uma pipoca, abrir uma cerveja e desfrutar de um belo futebol. Principal força do grupo deve se classificar em primeiro lugar.

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A última seleção que analisaremos é talvez a pior seleção de todas as 32, foi faltando apenas três dias para a abertura da Copa que o Japão conseguiu a sua primeira vitória do ano, contra o Paraguai de virada por 4 a 2. Mesmo com participações pífias e sem evoluções consideráveis, a seleção japonesa conseguiu uma certa hegemonia na Ásia, vem se classificando de forma ininterrupta para Copas do Mundo desde a sua primeira participação em 1998. O máximo que conseguiu atingir foi as oitavas em 2002 e 2010, feito que não se repetirá em 2018.

A seleção japonesa é muito ruim, fraca demais defensivamente, aposta na tradicional velocidade para oferecer algum perigo para os adversários. Depende muito do meia Kagawa para dar certa dinâmica à correria japonesa, bom articulador, não é a toa que está a tanto tempo em um time importante da Europa, o Borussia Dortmund, mas nem todo o talento do mundo é capaz de trazer um bom futebol ao Japão. Também, faltando dois meses para a Copa o técnico Halihodizc foi substituído pelo comandante do sub-23, Akira Nishino, que não sabe o que quer. Escala o time com 3 zagueiros, depois com 2, aí volta para uma linha de 5, claramente o trabalho está comprometido e não tem nas ideias do seu técnico firmeza alguma.

A única coisa que merece atenção no Japão, além da sua carismática torcida, é a mobilidade que Honda e Kagawa proporcionam às rápidas ofensivas do time japonês, sempre procurando os espaços vazios com muita velocidade e inteligência e abrindo espaço para que os alas ataquem com eficiência. De resto, vai apanhar bastante nesta Copa, se passar a fase de grupos sem levar nenhuma sonora goleada já terá sido um grande feito.

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Polônia – Lewandowski

H-03-destaque-poloniaFonte: Nike

Foi uma das várias peças “roubadas” pelo Bayern de Munique daquele incrível time do Borussia Dortmund comandado por Jürgen Klopp que chegou até a final da Champions e perdeu justamente para o time bávaro. Lewa é uma espécie de faz-tudo no time polonês, dono das bolas paradas, capitão, homem referência nos contragolpes e artilheiro da equipe. Aliás, que eliminatórias europeias fez o Lewandowski, foram 16 gols em 10 jogos, um a mais que Cristiano Ronaldo, se sagrando o artilheiro da competição. Se jogasse em uma equipe mais forte, certamente brigaria pela artilharia da Copa do Mundo. De fato, é um alívio ver que um jogador da classe do camisa 9 irá participar de uma Copa do Mundo. É um atacante nato, completo, tem um toque muito refinado na pequena área e sente o cheiro de gol, mas quando precisa, sai da área e ajuda na construção de jogadas de forma muito eficiente, fazendo bom uso da ótima técnica que domina. Sem dúvidas, não só o craque da Polônia como também um dos maiores craques da Copa, vamos torcer para jogar o que sabe e naturalmente se transformar em um dos destaques na sua primeira Copa do Mundo.

Senegal – Sadio Mané

H-03-destaque-senegalFonte: Getty

Peça menos badalada do trio de ataque do Liverpool que causou na Europa nesta temporada, porém, de suma importância. Ao lado de Salah e Firmino, o senegalês Mané foi fundamental com gols decisivos e ajudou a desequilibrar diversos jogos com a velocidade que inseriu ao tripé vice-campeão da Europa, buscando sempre as jogadas de profundidade para surpreender e pegar o adversário desmontado. Na seleção jogará mais centralizado, em uma jogada inteligente do técnico Cissé, explorando essas características marcantes em um posicionamento mais perigoso, entre os dois zagueiros com o Diouf dando opção caindo para a esquerda.

Mané é aquele tipo de jogador que aparece onde você menos espera, sua velocidade o torna onipresente no ataque, somado a isso ele é muito forte fisicamente, finaliza muito bem com ambas as pernas e é habilidoso, gosta de partir para cima e driblar. Não é a toa que se tornou o jogador africano mais caro da história quando foi vendido ao Liverpool por 34 milhões de libras.

Colômbia – James Rodríguez

H-03-destaque-colombiaFonte: AFP

Difícil a missão de escolher um só, mas vamos de James Rodríguez, último jogador revelação de uma Copa do Mundo, dono do gol mais bonito do mundial no Brasil em 2014 contra o Uruguai pelas quartas no Maracanã que também lhe rendeu o Prêmio Puskas e artilheiro da mesma competição, com 6 gols em 5 jogos. No Bayern de Munique renasceu de uma passagem conturbada no Real Madrid e fez uma boa temporada. Pode atuar de meia, atacante, ponta e faz muito bem a função de buscar o jogo e conduzir a bola ao ataque, jogador completíssimo que gosta de cair pela esquerda, mas faz bem a função pela direita também. Tem uma canhota que finaliza com maestria de fora da área e também é muito habilidosa, além de um alto potencial de organização, compreendido muito bem pelo técnico da Colômbia. Tem tudo para brilhar mais uma vez em uma Copa do Mundo, algo que não é para qualquer jogador.

Japão – Shinji Kagawa

H-03-destaque-japaoFonte: MacMadison.co.uk

Meia de muita mobilidade e que marca muitos gols, o veloz Kagawa vai para a Rússia disputar a sua segunda Copa do Mundo. Tem uma estabilidade rara de se ver em jogadores japoneses atuando na Europa, jogou dois anos no Borussia Dortmund, foi vendido ao Manchester United onde jogou mais dois anos, não se adaptou e voltou ao clube alemão, onde tem contrato até 2020 e é peça importante no time.

Tem um toque refinado na bola, domina bem os fundamentos com sua técnica apurada e talento para fazer uso da sua velocidade nos espaços vazios que encontra. É um oásis em um time tão fraco e só não está disputando sua terceira Copa porque o Japão tem uma tradição conservadora e não costuma convocar jovens para a sua seleção, aliás, uma das causas dos problemas nipônicos em 2018. Vamos ver o quanto conseguirá ajudar um time que está muito abaixo do talento de Shinji Kagawa.

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POLÔNIA
Super Girl & Romantic Boys – Spokój

SENEGAL
Mama Sadio – Diar Diar

COLÔMBIA
Fiero – Standard Hotel

JAPÃO
KZA – Le Troublant Acid

 

Grupo G – Bélgica, Panamá, Tunísia e Inglaterra – Análise

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Atenção ao Grupo G, pois é o primeiro colocado daqui que provavelmente enfrenta o Brasil em um eventual quartas de final. À primeira vista parece um grupo fácil para as duas europeias, Bélgica e Inglaterra, mas o grande barato de Copas do Mundo é que você pode pegar o seu vasto conhecimento de futebol, dobrar bem bonitinho e jogar na lata do lixo, tudo pode acontecer e a empolgação de uma estreante como o Panamá pode complicar a aparente vida fácil dessas duas poderosas. Ou até mesmo a busca pela segunda vitória de sua história em Copas do Mundo da Tunísia pode alterar as ordens naturais do Grupo H.

Mas em condições normais de pressão e altitude, o voo deve ser tranquilo para belgas e ingleses, que se encontrarão na última rodada para, provavelmente, decidir o primeiro lugar. A Bélgica vem com talentos em todas as posições, resta ver se conseguirão fazer com que o coletivo seja tão produtivo quanto o individual é, já a Inglaterra vem com um frescor raro para o tradicionalismo que é peculiar aos ingleses, novos talentos, ótimos jogadores, um técnico que se inspirou na Premier League e finalmente conseguiu encontrar um futebol parecido com o praticado na liga inglesa. A Tunísia vem sem o seu principal talento, Youssef Msakni, e sem uma vitória em copas desde 1978 e o Panamá vem para se divertir, como disse o próprio técnico da equipe, fazer uma estreia leve e torcer para que a tranquilidade crie surpresas e altere o status quo no penúltimo grupo desta Copa.

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Com a sua melhor safra da história, a Bélgica tem nessa Copa de 2018 a sua grande chance de fazer história, mas o céu não é perto para a famigerada geração belga, sem dúvida é um time recheado de talentos, do goleiro ao centroavante, porém, ainda pratica um futebol desequilibrado. Foi eliminado na Euro de 2016 pelo fraco País de Gales, seleção de Gareth Bale, e ainda trouxe na bagagem uma verdadeira aula de futebol defensivo da Itália de Antonio Conte.

O time joga muito intensamente, sempre presente no campo adversário, amassando os oponentes com muitas opções, triangulações, tabelas e por vezes um certo excesso de bolas alçadas na área. Batshuayi quando vem de trás sempre causa problemas, Hazard é o toque de classe do ataque, De Bruyne prende bem a bola e tem uma visão de jogo incrível, Lukaku tem faro de gol, sem contar que do volante pra frente você não vai encontrar um jogador que bata mal na bola, todo mundo chama a redonda de “você”. Mas defensivamente falando, no segundo tempo o ritmo cai um pouco e os espaços para o adversário começam a aparecer, a Bélgica ainda pode contar com o goleiraço Courtois, dando aquela confiança a mais para que a seleção belga continue jogando a frente.

Dona de um futebol muito técnico e de muitos talentos, a Bélgica fez uma eliminatória europeia impecável, se classificou de forma invicta e enfiou sonoras goleadas como o 9 a 0 contra Gibraltar ou o 8 a 1 contra a Estônia, adversários patéticos, é verdade, por isso esse timaço recheado de estrelas precisa ainda evoluir para almejar um título do tamanho de uma Copa do Mundo, pois vem apresentando certa instabilidade e tomando muitos gols de seleções melhores montadas. Sem dúvida protagonizará belos jogos e pode ser encaixada em um segundo pelotão de favoritas, mas por mais clichê que isso seja, a camisa não inspira confiança, mas bem, a camisa da França em 98 e a da Espanha em 2010 também não inspiravam.

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Quer se arrepiar com futebol e bradar a plenos pulmões que o ludopédio é muito mais do que um esporte? Pois bem, entrem no YouTube agora e procurem o gol que classificou o Panamá para uma Copa do Mundo pela primeira vez em sua história. Em apenas 2 minutos você verá o narrador aos 45 do segundo tempo dizendo que está difícil em um sofrido lamento, um clima de tensão no ar, torcedores chorando, uma bica pra frente, uma bola ganha de cabeça, a bobeira da zaga costarriquenha, o gol, o estádio tremendo, a camisa do autor voando, o banco invadindo o campo, o Galvão Bueno deles perdendo a voz e caindo nas lágrimas, o comentarista chorando ao fundo, faixas em russo pelo estádio tremulando, torcida em cima do alambrado, sinalizadores acesos, um milhão de fotógrafos invadindo o campo, merchan de breja no comentário do gol em meio a soluços chorosos, presidente declarando feriado nacional no dia seguinte e quando tudo acaba não restam dúvidas, o menino futebol não só respira, como pratica apnéia de tão bom que o seu fôlego está.

Essa foi a grande conquista da história do futebol panamenho, logo o que vier pela frente é lucro, é a primeira copa do time da América Central que pode ir orgulhosa para a casa se conseguir um terceiro lugar no grupo, claro que torcemos para que seja o azarão do mundial e surpreenda a todos, mas racionalmente, é impossível acreditar nisso, até porque fez um péssimo amistoso contra a Noruega onde perdeu por 1 a 0 no dia 6 e se mostra um time frágil. Vai adotar um sistema diferente das eliminatórias, um 5-4-1 bem conservador, impor uma pressão mais alta e buscar a roubada de bola de forma muito intensa, apostando nas infiltrações dos meias e abusando do pivô executado por um centroavante lento e muito forte.

Aos grandes feitos, inclua também o fato de que o Panamá deixou a poderosa e riquíssima seleção dos EUA de fora da Copa da Rússia com um futebol disciplinado e muito sólido defensivamente, fruto de um bom trabalho do técnico colombiano Hernán Darío Gómez, que já classificou a Colômbia para a Copa de 98 e o Equador para a Copa de 2002. O desafio agora é o maior que ele tem pela frente, aliás, aumentou com a virada de sorte enfrentada na última semana de preparação. Na derrota para a Noruega, Quintero, o jogador mais criativo do Panamá e que participa de quase todos os gols, quebrou um osso do pé direito e ao voltar para o hotel com a delegação panamenha, descobriu que a seleção panamenha conseguiu o feito de ser assaltada em Oslo. Bem, azar de principiante, que a sorte mude e que o Panamá nos dê mais cenas incríveis como o gol da classificação para a Copa.

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A Tunísia chega para essa Copa com um currículo bem modesto, só levantou uma taça em sua história, a da dificílima Copa Africana das Nações em 2004; e venceu apenas um jogo em todas as copas que disputou, contra o México em 1978 por 3 a 1, um feito histórico, já que foi a primeira seleção da África a vencer um jogo em Copas do Mundo. Vai tentar ampliar essas magras estatísticas em um grupo que é muito difícil se você não é a Inglaterra ou a Bélgica.

Olhando mais descuidadamente, a Tunísia cumpre o estereótipo do futebol africano, time bem ofensivo e que por vezes abre muitos espaços atrás, porém, tem atuado com um certo equilíbrio e passou invicta pelas loucas eliminatórias da África, voltando assim à uma Copa depois de 12 anos. Recentemente, segurou um empate em 2 a 2 com Portugal e também com a Turquia, demonstrando muita movimentação ofensiva dos laterais e muita combatividade na recuperação da bola dos dois meias Ferjani Sassi e Mohamed Amine Ben Amor, que jogam atrás de três bons meias ofensivos, aliás, o meio campo poderia ter um acréscimo de qualidade caso o técnico tunisiano conseguisse convencer Rani Khedira, irmão do Sami Khedira, a jogar pela Tunísia ao invés de tentar realizar o sonho de jogar pela Alemanha, o que não aconteceu, azar para os dois. Falando em azar, como ele andou circulando pelas vizinhanças panamenhas, a chance da Tunísia conseguir a sua segunda vitória em Copas do Mundo são grandes contra o time da América Central e quem sabe, visto o histórico pífio recente da Inglaterra, não consegue aprontar alguma nesta Copa. Dentro da normalidade, a seleção tunisiana é apenas a terceira força do grupo.

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Novas caras dão o tom da nova seleção inglesa que desembarcou na Rússia tentando apagar o vexame da última Copa no Brasil, quando foi eliminada logo na primeira fase marcando apenas um ponto e ficando atrás de Costa Rica, Uruguai e Itália. Vencer a desconfiança é o maior desafio desta seleção que vem patinando com campanhas fracas em Copas a algum tempo, há a certeza entre alguns torcedores pelas terras da rainha que o bi só vem com outra Copa na Inglaterra. A eliminação para a Islândia na Euro de 2016 aumentou demais essa descrença, o que fez a Federação Inglesa experimentar um técnico jovem que é a cara dessa nova Inglaterra, Gareth Southgate, promovido da seleção sub-21, assumindo a posição de interino por dois meses e sendo efetivado no cargo no final de 2016 após o pior momento da história dos Three Lions.

Southgate montou o time com a terceira menor média de idade desta Copa, ficando atrás apenas de França e Nigéria. Aplicou uma mentalidade mais arejada, jogando um futebol moderno, inclusive, condizente com o que é praticado na Premier League, fonte de inspiração do treinador nascido em Watford. Introduziu um esquema com 3 zagueiros e uma linha defensiva de 5, escalou defensores técnicos, com bons passes para apoiarem as subidas no ataque e abrindo o campo na saída de bola, sendo auxiliados por dois volantes que voltam para buscar o jogo. A defesa é ultra compacta e foi uma das poucas que dificultou de fato o jogo para o Brasil na era Tite, aliás, não só a vida brasileira foi dificultada, a defesa da Inglaterra é muito difícil de ser batida, foram apenas 3 gols sofridos e nenhuma derrota nas eliminatórias europeias.

O ataque tem muita velocidade e também é muito objetivo, jogadores mais habilidosos e criativos como Harry Kane e Sterling foram deslocados para o centro do campo, a fim de buscar espaços e se verticalizar o máximo possível, jogando colados na linha defensiva oponente e saindo com frequência na cara do gol, graças, entre outros fatores, à ótima ligação entre meio campo e ataque do habilidoso, veloz e classudo jogador do Tottenham, Dele Alli. As caras do time inglês também são uma imagem de uma nova Inglaterra, mais miscigenada e tolerante às diferentes culturas que migraram à velha ilha. É uma nova geração que conquistou as Copas do Mundo Sub-20 e Sub-17 e que terá que ser cuidadosa com os dois primeiros jogos contra Tunísia e Panamá, para chegar à última rodada disputando o primeiro lugar do grupo e não uma classificação. Fato é que, a seleção inglesa vem muito bem, quem sabe desta vez o criador domina a criatura e quebra um jejum que já dura 52 longos anos…existem boas chances, mas caso dê errado, a gente põe Stop Crying Your Heart Out do Oasis para tocar de novo.

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Bélgica – Kevin De Bruyne

G-03-destaque-belgicaFonte: Reprodução

Sob a batuta do gênio Guardiola no Manchester City, o belga de 26 anos evoluiu a ponto de ser considerado por muitos o melhor meia da atualidade. Um dos grandes destaques da melhor liga do planeta, De Bruyne é um daqueles jogadores que possuem uma capacidade técnica absurda, muito fora do comum. Passou o ano de 2017 e 2018 inteiros soltando passes sobrenaturais para todos os cantos do campo, tudo graças à sua visão de jogo fantástica, com toques que surpreendem até os mais avisados dos defensores, ele solta a bola e todo mundo para pra assistir o que ele viu que ninguém viu dessa vez. Como se isso não bastasse, um dos expoentes dessa geração de ouro belga ainda bate muito bem na bola, tanto com a direita quanto com a esquerda, sendo sempre certeza de perigo se aproximando quando domina uma bola. O cara também tem personalidade, cornetou a instabilidade defensiva da Bélgica em um amistoso contra o México e dá sinais de que quer trocar o seu milionário salário no City, o comando do melhor técnico do planeta, seu destaque e estabilidade na principal liga do mundo porque o céu de Manchester é sempre cinza, bem, vamos ver se o sol brilhará no céu russo o suficiente para fazer Kevin De Bruyne ser o iluminado desta Copa.

Panamá – Román Torres

G-03-destaque-panamaFonte: Reprodução

Sabe o gol antológico que citei na análise panamenha? Pois bem, eis aqui o autor de tal façanha, o dono do gol mais importante da história do Panamá, Román Torres, jogador sempre atento às oportunidades. Aliás, foi com um certo oportunismo e uma boa dose de esperteza que Román Torres começou a sua carreira, com 12 anos, o jovem era atacante e em uma peneira no Panamá, o técnico pediu para que levantassem as mãos, as crianças que jogavam no ataque, ao constatar que muitos garotos levantaram a mão, ele foi um dos poucos que se declarou um defensor. Estava decidido ali, nas incertezas de sua capacidade, a sua nova posição, e é na zaga que o agora herói nacional, Román Torres, faz história.

Na defesa o homem é um leão, peça essencial no destaque da fraca liga norte americana, o Seattle Sounders, é a base do time. Após a sua lesão no joelho, o time de Seattle teve que lutar para não cair…ah, espera, eles não tem rebaixamento, mas enfim, o time de Seattle passou semanas sem vencer nenhum jogo. Mesmo assim, parece que o desejo de marcar gols nunca abandonou o agora zagueiro Román Torres, e foi esse ímpeto que fez com que ele batesse o último pênalti que deu ao time do Seattle Sounders o primeiro título da MLS e que também subisse ao ataque naquele jogo contra a Costa Rica e marcasse o gol que levou o Panamá à sua primeira Copa do Mundo. Estrela ele tem, uns quilinhos acima do peso também, porém possui ótimos desarmes, alto poder de marcação e aparições perigosas na área adversária, agora resta saber se isso fará história nesta Copa, tomara que sim, porque sem dúvidas trata-se de um dos personagens mais carismáticos e interessantes deste mundial de 2018!

Tunísia – Fakhreddine Ben Youssef

G-03-destaque-tunisiaFonte: Fabrice Coffrini/Getty Images

O grande destaque da seleção tunisiana é o atacante Youssef Msakni, disparado o melhor jogador do time e cotado para o lugar de Mahrez no Leicester, o técnico da seleção tunisiana inclusive declarou certa vez que ir para a Copa da Rússia sem Msakni seria uma tragédia comparada à Argentina ir para a Copa sem o Messi, pois bem, atuando pelo Al Duhail do Catar a apenas 2 meses da Copa, o pior aconteceu, Msakni teve uma lesão no ligamento de um dos seus joelhos e a Tunísia vai sem o seu Messi para a Copa. Quem ficou com a difícil missão de substituir o ídolo de uma nação inteira foi Fakhreddine Ben Youssef, que atualmente joga pelo Al Ittifaq, da Arábia Saudita.

Apesar do 1,93m de altura, o atacante não é um desajeitado, tem boa técnica e joga com muita qualidade pelos lados do campo, atuando com muita inteligência para abrir espaços para os companheiros que chegam de trás. Tem boa finalização e é referência no ataque, faz o pivô muito bem e tem uma importância tática muito maior do que técnica, por isso acabou virando o destaque natural após a lesão de Msakni, vamos ver se consegue fazer a Tunísia esquecer que perdeu a sua grande estrela.

Inglaterra – Harry Kane

G-03-destaque-inglaterraFonte: Nike

Mesmo com todos os holofotes em cima de Harry Kane, o astro mantém-se longe dessa alcunha, simples e dono de uma simpatia rara para uma estrela do campeonato inglês, Kane foi aos poucos, depois do Tottenham o ter emprestado por 4 vezes, cativando o seu lugar como o melhor centroavante do mundo na atualidade.

O jovem atacante inglês de 24 anos vive o seu momento de glória na Inglaterra. Segundo maior artilheiro na temporada da Premier League com 30 gols, foi do pé direito dele que saiu o gol contra a Eslovênia que classificou a Inglaterra para a sua 14ª Copa do Mundo. O atacante do Tottenham tem chamado a atenção dos maiores clubes do mundo, o time londrino logo se apressou e renovou o contrato dele até 2024, aumentando consideravelmente a sua multa rescisória e afastando uma possível transferência para o Real Madrid, onde foi inclusive mencionado pelo ex-técnico da equipe, Zinedine Zidane, como um jogador completo. E de fato ele é, finaliza muito bem com as duas pernas, de cabeça, é rápido, se movimenta muito bem entre os marcadores e tem um raciocínio muito rápido para finalizar e se infiltrar. Com certeza é em Harry Kane que as esperanças de uma sofrida Inglaterra são depositadas.

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Sons-G

BÉLGICA
Bed Rugs – Specks

PANAMÁ
Los Dinamicos Exciters – Let Me Do My Thing

TUNÍSIA
Dalton – Soul Brother

INGLATERRA
Noel Gallagher’s High Flying Birds – She Taught Me How To Fly

 

Brasil vence Costa Rica, mas segue com futebol capenga.

O Brasil vence seu primeiro jogo na Copa contra a Costa Rica, com dois gols nos acréscimos do segundo tempo. Venceu, porém, continua com uma atuação muito abaixo do esperado. O primeiro tempo da seleção foi ridículo, com um futebol pouco criativo, não ofereceu nenhum tipo de perigo à seleção costarriquenha.

Fagner entrou e não comprometeu, expôs um pouco o lado direito, mas acabou dando mais saída para a seleção por aquele lado, algo que não aconteceu no jogo contra a Suiça. As infiltrações de Paulinho, já não são mais surpresa nenhuma para os adversários, até porque acontece com uma frequência muito alta, tendo como consequência a saída de jogo pelo meio conduzida somente por Casemiro, sobrecarregando a dupla de zaga brasileira e praticamente anulando qualquer função tática do jogador do Barcelona, que parece sobrar em campo.

No segundo tempo duas alterações definiram a partida, Douglas Costa no lugar de Willian e Firmino no lugar de Paulinho. O time passou a ocupar o campo adversário com os dois laterais bem abertos, Firmino e Gabriel Jesus puxaram a marcação e destravaram um pouco a intermediária e o Brasil ganhou mais movimentação e objetividade pelo lado direito com Douglas Costa, porém, Casemiro passou a fazer a ligação, o que deixou a defesa muito mais exposta do que no primeiro tempo. Funcionou ao final do jogo, quando Coutinho, até aqui o melhor nome da seleção, atento à jogada apareceu de trás e de bico empurrou para o fundo das redes. Minutos depois foi a vez de Neymar receber livre de Douglas Costa no meio da área e marcar o seu primeiro gol na Copa da Rússia.

O que segue preocupando desta vez, é que o sistema que Tite criou para vencer este jogo não havia sido testado antes, o que mostra que já no segundo jogo, contra o adversário mais fraco do grupo, o técnico abriu mão de algumas convicções e abandonou características importantes do estilo de jogo que vinha praticando até então. Contra a Costa Rica a vitória veio, mas jogar dessa forma para furar um sistema defensivo bem organizado contra times como a Bélgica, a Espanha ou a França, podem fazer com que o Brasil sofra muito defensivamente com Miranda e Thiago Silva sobrecarregados.

Tite precisa achar uma alternativa à falta de articulação e criatividade do meio-campo brasileiro que faça com que o time não perca o equilíbrio tão tradicional do técnico, me parece que Paulinho deve deixar o time titular para que isso aconteça.

NEYMAR

neymarchoraoFonte: Lee Smith/Reuters

O jogador mais badalado da nossa seleção mais uma vez teve uma atuação ruim, porém, menos individualista. O que não impediu que sua personalidade, mais uma vez, causasse problemas. O desequilíbrio da principal estrela desequilibra o time inteiro. Em uma das poucas vezes que foi perigoso perto do gol, limpou bem a jogada e preferiu simular um pênalti, ao invés de continuar, tentar o gol ou até mesmo sofrer o pênalti de fato. Como de praxe, escolheu não ir até o fim da jogada e teve a penalidade anulada pelo VAR e pelo competentíssimo juiz holandês Bjorn Kuipers.

Tomou um amarelo depois de um chilique, foi repreendido por Tite a beira do campo e acabou chorando após o apito final, em uma cena absolutamente patética que demonstra uma infantilidade e uma fraqueza que podem ser fatais em uma Copa do Mundo. Ou muda seu temperamento, ou jamais evoluirá. Poderia se inspirar na força mental e no espírito de equipe de Cristiano Ronaldo, que com a inteligência ausente no camisa 10 do Brasil, compreende que sua única possibilidade de fazer história com Portugal é tentar transferir sua confiança e ótimo desempenho aos fracos companheiros de equipe. Neymar nem precisa de tanto, pois tem um bom time ao seu redor. Tentar frear essa necessidade insana de ser o centro das atenções sempre, se faz mais do que necessário para que comece a contribuir de fato com o Brasil.

Engole o choro porque estamos só no segundo jogo da primeira fase e ainda não houve qualquer tipo de superação que justifique as lágrimas (para quem conseguiu vê-las) após o apito final. 2014 feelings…

BRASIL x ARGENTINA: ZICO E MARADONA EM NOITE DE MARACANÃ LOTADO

Em 1979 era disputada mais uma Copa América no Continente Sul Americano.

Zico e Maradona
Zico e Maradona

Diferentemente dos tempos atuais, o torneio da Conmebol era disputado sem sede fixa.

No dia 2 de agosto daquele ano, Brasil e Argentina se enfrentavam para público de 120 mil pessoas no Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro.

Sem mencionar o público espetacular (normal para o Velho Maracanã), o ex-maior do mundo recebia dois gênios da bola: Artur Antunes Coimbra “Zico” e Diego Armando Maradona.

Não foi um primor de partida, mais é sempre nostálgico ver o futebol setentista com seus grandes craques que atuavam em seus próprios países de origem (ausências somente por lesão ou suspensão), os repórteres com liberdade para entrevistarem os treinadores (Cláudio Coutinho e César Luis Menotti) momentos antes do apito inicial, a sobriedade de entrevistados, jornalistas e do locutor, no caso o saudoso Luciano do Valle, astros como Paulo César Carpegiani (atual técnico do Flamengo) ou Daniel Passarela em campo, além de grande defesa de Émerson Leão e belo gol de Tita.

Os gols foram marcados por Zico, logo aos 2 minutos de jogo, Hugo Coscia empatou aos 32 minutos e Tita definiu o placar já no 2º tempo aos 54 minutos de jogo.

A propósito, aquela longínqua edição da Copa América foi vencida pelo Paraguai.

O Brasil jogou com Émerson Leão; Toninho, Amaral, Edinho e Pedrinho; Paulo César Carpegiani, Zenon (Batista) e Zico; Tita, Palhinha (Juari) e Zé Sérgio. Técnico: Claudio Coutinho.

A escalação da Argentina contou com Enrique Vidallé;  Juan Barbas, Jose Van Tuyne, Daniel Passarella e Ramón Bordon; Jose Luis Gaitan (Carlos Lopez), Pedro Larraqui e Jorge Gaspari; Roberto Díaz (Jose Castro), Diego Maradona e Hugo Coscia. Técnico: Jose Luiz Menotti.

Futebol e Bons Sons!