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Grupo F – Alemanha, México, Suécia e Coreia do Sul – Análise

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Atenção ao grupo F, é daqui que sai o possível adversário do Brasil nas oitavas. Grupo de uma das favoritas da Copa, a Alemanha, que busca o penta com uma base muito parecida com a que venceu o torneio em 2014. Aliás, apesar de um deslize no caminho durante a Euro, o time continua jogando muito bem e teve a chegada de algumas peças novas, o que oxigenou o elenco, mesmo que a mais habilidosa de todas, Sané, tenha sido cortado de forma surpreendente, Joachim Löw disse que o jogador do Manchester City ainda não havia engrenado no time alemão e deu a vez para jogadores que desempenharam bem suas funções na jornada rumo à Rússia, cabe a Alemanha nessa fase de grupos espantar a zebra que vem assombrando as campeãs mundiais em suas Copas seguintes desde 2002, com excessão de 2006, e não cair na primeira fase, tarefa bem fácil, uma vez que o time joga um futebol classe A e tem de um a dois craques por posição.

Tarefa difícil mesmo sobrou para as outras três seleções do grupo, que têm que mirar em uma vaga só e não praticam um futebol tão regular assim. A Suécia sai um pouco a frente, não tem um time estrelado mas tem um coletivo muito forte, pelo caminho até a Rússia eliminou as tradicionais Holanda e Itália, ou seja, alto potencial de surpreender e aprontar para cima de grandes seleções. O México vem como sempre, um time difícil de se bater, mas com certa predisposição a apanhar, com Osorio no banco, a seleção mexicana certamente protagonizará jogos divertidíssimos, bem francos e abertos. O time não abre mão da ofensividade, no máximo busca um certo equilíbrio defensivo, mas quando as coisas vão mal, pode esperar uma chuva de gols. Sobrou para a Coreia do Sul a dura missão de lutar para não ser a última do grupo. Teve muitas dificuldades nas eliminatórias asiáticas, que são famosas pelo baixo nível técnico e tático, não tem sequer um esquema definido e vai apostar na sua tradicional velocidade para tentar surpreender alguém, mas a realidade é que os sul-coreanos têm uma das seleções mais fracas desta Copa. Vamos ver o que acontecerá a partir de domingo, dia 17.

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Chegou a hora de encarar esse trauma de frente, bora falar da Alemanha. Na última Copa o 7×1 contra o Brasil na semifinal pode fazer parecer que o time alemão foi uma máquina, de fato foi um time muito bom, mas se lembrarmos bem, quase foi eliminada pela Argélia nas oitavas, fez um jogo duro e venceu no detalhe a França nas quartas e só venceu a final contra a Argentina por culpa de um gol feito perdido pelo Higuaín ainda no primeiro tempo. Não estou tentando desdenhar, pelo contrário, se com essa campanha difícil a Alemanha conseguiu chegar ao tetra, as possibilidades para a Copa da Rússia podem ser melhores, podem, porque o time alemão também parece ter os seus problemas para superar.

A eliminação para a França na Euro de 2016 foi um duro golpe e mostrou que os germânicos não são imbatíveis, a proibição de sexo antes das partidas pelo técnico Joachim Löw pode mostrar um grupo um pouco mais indisciplinado, mais relaxado e isso pode acender um sinal de alerta, desde 1998, com exceção do Brasil em 2006, todas as campeãs do mundo caíram na primeira fase na Copa seguinte. O corte do habilidoso Sané surpreendeu e certamente faz com que a seleção perca um pouco do fator surpresa e de talento no meio campo, sem contar que este fato dá sinais de que talvez a renovação na Alemanha não tenha dado lá muito certo por enquanto. E por fim, Neuer volta ao gol fora de ritmo após uma lesão tirando o lugar de Ter Stegen que vem em ótima fase. Esse foi um olhar mais urucubático, mas a verdade é que a Alemanha, apesar dessas incógnitas, é uma das francas favoritas ao título junto ao Brasil.

O time joga por música, defende muito bem e com rara eficiência, pratica um jogo de muita intensidade com passes rápidos que desnorteiam qualquer adversário mal avisado somados a um jogo de muita movimentação que envolve o oponente. Tudo isso garantiu a melhor campanha das eliminatórias europeias, com 100% de aproveitamento em 10 jogos e 43 gols marcados, um recorde. Boateng, Hummels, Kroos, Özil, Müller, Götze, Reus, Khedira, Goretzka…são tantos talentos na seleção alemã que fica difícil não imaginar a Die Mannschaft (A Equipe) na final mais uma vez.

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Tão tradicional quanto a boa campanha do México nas eliminatórias da CONCACAF é a instabilidade da seleção no futebol praticado fora das Américas Central e do Norte. A famosa frase mexicana “jogamos como nunca e perdemos como sempre”, pode se encaixar muito bem no time que vai para a Rússia.

As grandes oscilações de desempenho já estão virando marca registrada nos trabalhos do técnico Carlos Osorio, mas não podemos reclamar de falta de emoção nos jogos mexicanos. O treinador colombiano montou um time muito ofensivo e perigoso, por isso é preciso cuidado contra a seleção norte americana, em contrapartida, toma muitos gols, como no 7 a 0 contra o Chile na eliminação da Copa América Centenária e o 4 a 1 contra a Alemanha durante a Copa das Confederações. Por conta disso, “el profesor” vem estudando um esquema um pouco mais seguro, montando uma defesa com 5 jogadores por vezes ou fechando mais o meio campo durante os amistosos pré copa. Funcionou, em 4 jogos sofreu apenas um gol, fazendo a caneta vermelha de Osorio entrar menos em ação. Mas o saldo final é de um time bom, que controla bem a posse de bola e tem muita competência no jogo ofensivo. Com bons nomes como o ótimo finalizador, Chicarito Hernández e Héctor Herrera, jogador com muita qualidade no passe e técnica refinada, o México briga sério por uma vaga nas oitavas.

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Falar de Suécia sem Ibrahimovic é um pouco frustrante, mas não há o que fazer, a polêmica ainda está difícil de entender, o craque sueco diz que quer ir à Copa, mas não deixou claro se estava brincando ou não, o técnico quer ouvir dele que a aposentadoria após a Euro 2016 será interrompida, alguns membros do elenco o chamam de egoísta e dizem que é melhor que ele não se junte à seleção, a FIFA o proíbe de jogar se ele não abrir mão de um patrocínio milionário de uma empresa de apostas, enfim, o imbróglio foi tanto que a Federação Sueca anunciou que o maior jogador da Suécia de todos os tempos não irá disputar a Copa e ponto, deixando a entender que foi uma decisão mais do Zlatan do que do técnico Janne Andersson, comandante desde 2016.

Pior para a Suécia, que pode, em determinado momento da competição, demonstrar uma certa carência de um craque que pode decidir qualquer jogo com apenas um lampejo. Mas pior quanto? Pois até agora a seleção sueca dá intensas amostras de ser uma equipe forte, caiu no grupo mais difícil das eliminatórias, com França e Holanda, ficou atrás da primeira e deixou a laranja mecânica pelo caminho, de quebra, ainda eliminou a Itália na repescagem em uma surpreendente jornada rumo à Rússia.

Surpreendente porque diferente de anos atrás, os jogadores suecos não mais ocupam lugares de destaque em times grandes da Europa, a maioria jogam em clubes de mercados secundários, porém, o novo técnico dos escandinavos conseguiu montar uma equipe muito boa, com um coletivo forte e um camisa 10 muito participativo, o meia Fosberg. A verdade é que a Suécia se montou um time muito dedicado, trabalhador e de muita colaboração entre os jogadores, e desse ponto de vista, talvez Ibrahimovic poderia desequilibrar o grupo e tirar a característica que fez com que o time sueco conseguisse resultados tão expressivos nos últimos dois anos. Time um pouco mais estável que o México, sai um pouco a frente na disputa pela segunda vaga.

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Depois daquele terceiro lugar muito estranho e bem obscuro da seleção sul coreana jogando em casa em 2002 eliminando no apito Itália e Espanha, nada de demais foi produzido pelo time asiático. Tá certo que há uma evolução com a sua presença constante em Copas do mundo, mas em 16 anos passaram da primeira fase apenas uma vez, em 2010, quando foram eliminadas nas oitavas pelo Uruguai. A seleção se classificou na bacia das almas, no último jogo em um empate sem gols contra o Uzbequistão, tirando também a vaga direta da Síria que vinha em uma campanha heróica e acabou sendo eliminada na repescagem para a Austrália. A campanha foi tão fraca nas eliminatórias asiáticas que o técnico alemão Uli Stielike caiu mesmo classificando a equipe.

Também pudera, ficou meses sem ganhar um jogo, quebrou o jejum em um amistoso contra a Colômbia e não apresenta qualquer tipo de evolução. Um time muito fraco defensivamente e muito vulnerável somado à um ataque que não faz mal a ninguém, tirou qualquer entusiasmo dos divertidos torcedores sul coreanos. O time, agora comandado pelo treinador local, Taeyong Shin, saiu de um 4-3-3 em janeiro, experimentou um inconsistente 4-4-2 e às vésperas da Copa decidiu montar um time com três zagueiros. Aí não tem jeito, é apostar no bom toque de bola e na boa e velha velocidade, característica marcante da Coreia do Sul, para tentar passar de fase, se bem que um ótimo resultado já seria não ficar na lanterna do grupo.

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Alemanha – Toni Kroos

F-03-destaque-alemanhaFonte: dfb.de

Sem dúvida um dos melhores meias do mundo hoje. Reúne todos os conceitos de um jogador moderno, obediência tática acima da média, muita qualidade em todas as ações executadas em campo, possui o mais alto nivel técnico possível no esporte praticado hoje e passou assombrosos 4 meses sem errar um, eu disse, UM passe sequer atuando pelo Real Madrid. Pois é, só que desfrute bem desse jogador fantástico nos próximos dias porque pode ser a última Copa do Mundo do alemão, ele é jovem, tem 28 anos, mas declarou em uma entrevista recente que pretende encerrar a carreira aos 30 anos.

Os motivos dessa decisão não conhecemos, mas o que conhecemos bem são os seus lançamentos milimétricos, a habilidade ímpar de sair jogando e conduzir a bola, as assistências fatais, sua inteligência e a agilidade em achar brechas em qualquer jogo complicado. É um trunfo poderoso na estrelada e não menos poderosa tetracampeã Alemanha, que tem tudo para conquistar o penta com a participação decisiva de Toni Kroos.

México – Chicarito Hernández

F-03-destaque-mexicoFonte: Marca.com

Chicarito Hernández é um daqueles jogadores na pegada de atletas como o Ganso, parecia que seria um daqueles craques unânimes e acabou não vingando, com passagens que mesclavam bons momentos com atuações apagadas por diversos clubes, Chicarito nunca conseguiu se firmar como o craque que poderia ser. Seu clube atual, o West Ham, já disse que aceitará ouvir propostas pelo atacante, que atuou por dez meses e marcou apenas oito gols, muito pouco para quem custou 18 milhões de euros, porém, o jogador é uma peça fundamental para o México, se destacando entre os demais companheiros e fazendo história.

Com o seu gol no empate em 2 a 2 com Portugal na Copa das Confederações, Chicarito Hernández se tornou o maior artilheiro da história da seleção mexicana, ultrapassando Jared Borgetti, que marcou 46 vezes. Exímio finalizador, no time do México, o talentoso jogador consegue desempenhar bem as suas melhores características, técnico e habilidoso, joga com muita intensidade e tem bom ritmo, dribla e passa muito bem com ambas as pernas e usa da velocidade e da agilidade para marcar gols sem parar. É peça fundamental no difícil desafio de arrumar uma vaga nas oitavas para o México.

Suécia – Emil Forsberg

F-03-destaque-sueciaFonte: Bundesliga.com

O grande nome da Suécia para essa copa é a antítese do craque Ibrahimovic, tímido e astro do RB Leipzig, time novo que obteve sucesso e subiu para a Bundesliga odiado por meio mundo, o jogador tem um perfil mais lo-fi. Recusou uma proposta do Liverpool para continuar no Leipzig e ficar perto da namorada, Shanga, que atua pelo time feminino do clube alemão e é a crítica mais ferrenha quando o futebol do meia não é satisfatório.

Vindo de uma família de futebolistas, o vô foi destaque nos anos 50, o pai atuou no mesmo clube em que começou e Forsberg seguiu a tradição de família. Sua humildade e timidez já foi pontuada pelo próprio pai, que atribuiu à essas duas características a razão pela qual as entrevistas do filho são tão chatas. Mas com a bola no pé não existe timidez que segure Forsberg, o camisa 10 é muito rápido e deu uma dinâmica de jogo completamente nova para a estática seleção sueca, com infiltrações sempre objetivas e perigosas, o meia por vezes joga tanto na ponta esquerda quanto na ponta direita, flutuando muito bem e com certa agilidade na frente da área adversária. Em um time com certa abstinência de estrelas, o sueco tentará entrar no hall de craques desta copa, mesmo que nas entrevistas após os jogos, sua timidez e simplicidade não admitam tal feito.

Coreia do Sul – Son Heung-Min

F-03-destaque-coreiaFonte: Liam Blackburn/Press Association Sport

Beckham da Coreia, é assim que é conhecido o jogador do Tottenham em seu país natal, onde é a grande estrela da seleção nacional. Já na Inglaterra passa quase despercebido, mas é de suma importância para o clube londrino. Jogador muito versátil, dono de uma boa técnica e com uma característica comum aos coreanos, a velocidade, Son se tornou um ótimo coadjuvante e exerce papel importante na grande fase do artilheiro da Liga Inglesa, Harry Kane. Mas não é só como garçom que o sul-coreano incomoda, e muito, as defesas adversárias, o meia atacante também marca muitos gols. Aliás, é um risco chamá-lo de meia atacante até porque o próprio técnico do time inglês, Pochettino, não sabe qual a posição de Son, ou como ele mesmo disse, ele não é um camisa 10, um ponta esquerda ou um centroavante, mas pode ocupar todas essas posições e atuar muito bem.

E foram por essas razões que o Beckham sul-coreano foi o jogador asiático mais caro da história, quando o Tottenham pagou 30 milhões de Euros ao Bayer Leverkusen pelo sul-coreano em uma das raras vezes em que Son Heung-Min foi manchete nos jornais ingleses. Não sei se o sul-coreano tem alguma pretensão de estampar capas de jornais, mas a verdade é que, apesar das grandes qualidades, Son terá que fazer os três jogos da sua vida na Copa para conseguir fazer com que a fraca seleção da Coreia do Sul consiga um milagre e alcance as oitavas de final desta Copa, algo que não acontece desde 2010, quando Son ainda jogava na base do Hamburgo, na Alemanha.

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Sons-F

ALEMANHA
Stereo Total – I Love You Ono

MÉXICO
Maldita Vecindad y Los Hijos Del Quinto Patio – El Circo

SUÉCIA
The Soundtrack of Our Lives – Sister Surround

COREIA DO SUL
Rainbow Trio – 바삐 – (???)


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