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Grupo E – Brasil, Suiça, Costa Rica e Sérvia – Análise

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O pote 2 do sorteio da Copa de Rússia era um pote ingrato e poderia ter prejudicado muito o Brasil com a escolha de um adversário mais duro como Espanha ou Inglaterra, na verdade, esses eram os dois mais temidos, acabou saindo a Suiça, talvez o terceiro mais “temido” desse pote, portanto não esperem uma estreia fácil para o Brasil em 2018, porém, a seleção brasileira está muito acima das três demais, aliás, pode ser considerada a favorita junto à Alemanha e por isso não deve encontrar dificuldades para assegurar o primeiro lugar na primeira fase.

A surpresa da Costa Rica em 2014 e a estabilidade da Suiça durante as eliminatórias europeias passam a ideia de que a Sérvia seria o time mais fraco do grupo, mas isso não parece condizer com a realidade, é um time com muito talento e que se jogar centrada e não com a irresponsabilidade que lhe é peculiar, pode sim conseguir essa segunda vaga no grupo. Os costarriquenhos decaíram desde a última Copa, mas se tem algo que o mundial no Brasil nos ensinou é que não parece ser uma boa ideia desprezar o país caribenho. Já a Suiça chega com um futebol burocrático, sem nenhum tempero porém muito equilibrado, os últimos três jogos das eliminatórias demonstraram uma queda de rendimento, mas o jogo defensivo e pouco criativo podem assegurar a segunda vaga, uma certeza temos, a Suiça protagonizará os jogos mais mornos da competição, como é habitual.

A verdade é que neste grupo teremos a disputa mais dura pela segunda vaga de todos os grupos, é impossível apontar alguma das três seleções à frente da outra, talvez seja um dos grupos mais difíceis da Copa pelo equilíbrio, o Brasil corre bem a frente, mas se alguém conseguir tirar pontos da pentacampeã mundial, muito provavelmente passará às oitavas.

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Não há como negar, sem Tite essa seria mais uma copa fria, frustrada e sem muitas expectativas para o Brasil de novo, isso se a seleção conseguisse se classificar para o mundial. O técnico é o responsável pelo ressurgimento de uma força da natureza futebolística, e isso assusta todo mundo, falo sem apelar para a velha arrogância vazia brasileira que nos assombrou e contribui em vexames nas últimas 3 copas, passando por eliminações contra França, Holanda e um ridículo 7×1 contra a Alemanha. A bem da verdade, o Brasil não tinha um técnico que sequer estivesse por dentro do que há de moderno no mundo desde 2002, sendo muito generoso. Tite deu o equilíbrio que o time precisava, não é um técnico revolucionário e ainda não deu sinais de que deixará seu nome na história como um gênio inovador, mas enxerga o futebol como poucos no mundo e isso pode ser o suficiente para deixar seu nome marcado na história como protagonista de um título mundial. Desde que assumiu foram 20 jogos, com 16 vitórias e apenas 1 derrota, 44 gols marcados e apenas 5 sofridos, são números impressionantes que mostram uma defesa muito sólida e um ataque que sabe capitalizar esse equilíbrio que o professor Adenor sempre buscou em suas equipes.

Com o goleiro mais cobiçado do momento, Alisson, o melhor lateral do mundo hoje, Marcelo; Danilo substituindo Dani Alves sem comprometer e a dupla de zaga formada por Miranda e mais recentemente Thiago Silva no lugar de Marquinhos, o sistema defensivo brasileiro não é só muito competente como também tem uma saída de jogo de muita qualidade, porém nem tudo são flores, o duelo contra a Inglaterra no ano passado e contra a Croácia no domingo, dia 03, serviram para mostrar que o Brasil ainda tem dificuldades criativas quando joga contra 3 zagueiros e um sistema defensivo mais conservador. Contra os croatas, o meio campo armado com três volantes de ofício, simplesmente não funcionou e resultou em pouquíssima criatividade e no adversário ocupando o campo defensivo brasileiro por quase 45 minutos. O banco não parece suprir as necessidades de uma equipe que pode precisar mudar o jogo. O fator Neymar também preocupa, voltando de uma lesão séria, o nível que desempenhará seu futebol é uma incógnita e o maior desafio de sua carreira, contra a Croácia entrou e meteu um golaço, mas ainda é cedo para qualquer tipo de conclusão. Porém o clima é de muito otimismo, Gabriel Jesus disputa vaga com Firmino gol a gol, Coutinho está em grande fase e quando o Neymar entra e ele assume a posição de meia, o time flui muito melhor e joga um nível acima com muito mais movimentação, agilidade e criatividade; Willian traz muita qualidade e velocidade ao lado esquerdo do ataque e Paulinho é peça fundamental no esquema brasileiro, chega de trás com ótima presença e de forma sempre decisiva, pode ser um dos craques da Copa facilmente, enfim, nomes de destaque não faltam nos 11 titulares e Tite vem obtendo sucesso em tirar o melhor desses jogadores e organizar um time que tem cara de campeão do mundo. Definitivamente uma das favoritas junto à Alemanha, alguns degraus acima de França, Espanha e Argentina. É torcer e ver se o hexa vem.

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A seleção suiça vem se habituando a disputar grandes competições, prova disso é que a classificação na repescagem contra a Irlanda do Norte não foi cercada de festa, principalmente porque até a última rodada da fase de grupos estava invicta e perdeu a vaga direta na derrota por 2 a 0 para Portugal no Estádio da Luz sob os olhares atentos da Madonna. O jogo defensivo é uma marca registrada da Suiça, basta lembrar o fato bizarro de que na Copa de 2006 a Suiça foi o primeiro país na história a ser eliminada sem sofrer nenhum gol. Essa vocação defensiva contrasta com um jogo ofensivo quase nulo, o centroavante Seferovic por vezes fica isolado na frente completamente desconectado do jogo. Tem cara de que será um difícil adversário para o favorito do grupo, Brasil, no jogo de estreia, pois pratica um futebol que tem demonstrado certa dificuldade para ser superado pela seleção brasileira, mas fora isso, me parece que cumprirá o papel que a Suiça tem cumprido nas últimas copas, o de protagonizar os jogos mais pragmáticos e chatos do torneio.
Uma das qualidades da equipe é a de adaptar o jogo em função do adversário, abrindo um pouco mão de uma certa personalidade, mas abraçando uma competitividade burocrática que quase botou para fora na última Copa a Argentina, mas acabou sendo eliminada, mais uma vez, nas oitavas, sinceramente espero que Costa Rica e Sérvia possam apresentar um futebol interessante e agitar as coisas um pouco na disputa pelo segundo lugar contra a Suiça, porque não seria interessante ver essa seleção ir muito longe ao contrário das outras três seleções do grupo.

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A única certeza que tenho nessa vida é a de que a Costa Rica será eliminada na primeira fase ou a Costa Rica vem fazer turismo e trouxe malas para uma semana. Foram essas as frases que mais ouvíamos após o sorteio da Copa de 2014 quando a Costa Rica caiu em um grupo com três campeões do mundo, Itália, Uruguai e Inglaterra. Pois é, por isso amamos o futebol, não só se classificou como foi a primeira do grupo e definitivamente a grande sensação da Copa do Brasil. Por essas e outras não seremos inocentes com a Costa Rica desta vez, segunda colocada das eliminatórias da CONCACAF e uma das principais responsáveis pela eliminação dos EUA com uma goleada de 4 a 0 em casa e uma vitória por 2 a 0 em solo norte americano, os costarriquenhos lutam sim pela segunda vaga do grupo E, com certa desvantagem para os outros dois europeus mas lutam.
Porém, aquele futebol de 2014 já está bem desgastado e a seleção não dá sinais de que surpreenderá de novo, o nível de jogo decaiu e o fator surpresa foi pelos ares com a grande campanha no Brasil quando atingiu as quartas de final e foi eliminada nos pênaltis pela Holanda. Isso somado ao fato de que nunca é um bom sinal quando o craque do time é o goleiro, e esse é o caso da seleção costarriquenha que tem como destaque Keylor Navas, do Real Madrid. Esses fatores acendem o sinal de alerta na Costa Rica e mostram que talvez o seu momento ao sol tenha sido a 4 anos atrás e está um pouco distante de se repetir. Mas que seria maravilhoso estarmos errados sobre a Costa Rica de novo, sem dúvida seria.

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O Brasil europeu, é assim que muitas pessoas, inclusive sérvios, classificam o futebol na Sérvia, seleção muito técnica, que tem como objetivo praticar um futebol bonito, bem jogado, com lances plásticos e jogadas que encantam, é isso que coloca a Sérvia como uma grande candidata à segunda vaga do grupo mas também é o que mais preocupa na seleção europeia. Por muitas vezes uma jogada de efeito, aquele toque a mais nos lances fazem com que o time se perca um pouco, mas fora isso, nessa jornada da Copa da Rússia, o saldo vem sendo positivo para a Sérvia, com apenas 1 derrota em 11 jogos e a classificação direta para o mundial em um grupo que ok, não oferecia lá essa dificuldade(Irlanda, País de Gales, Áustria, Geórgia e Moldávia).

Fato é que tecnicamente, entre Costa Rica e Suiça, a seleção sérvia se destaca, fonte dos jogadores mais habilidosos da antiga Iugoslávia, a Sérvia parece largar um pouco a frente na disputa pela segunda vaga, tudo vai depender de como ela irá lidar com o ferrolho suiço e com a incógnita Costa Rica, porém, um time com estrelas ela tem, não mais tão envelhecido devido à demissão do seu técnico após a classificação para a Rússia justamente porque o ex-comandante não escalava jogadores jovens. A troca recente no comando introduz uma certa insegurança aos sérvios, mas mesmo assim, podem fazer uma primeira fase bem interessante, abocanhar essa segunda vaga e naturalmente cruzar o caminho da Alemanha nas oitavas.

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Brasil – Neymar

E-03-destaque-brasilFonte: Pedro Martins/MoWA Press

Com a bola nos pés é um gênio, um dos 5 maiores jogadores da atualidade, rápido, dono de uma rara habilidade, um ótimo finalizador, distribui muito bem o jogo e tem um talento único para ajudar os companheiros com suas assistências, enfim, as qualidades futebolísticas do Neymar todos nós conhecemos bem desde os tempos de Santos, ele tem potencial para decidir uma Copa do Mundo, mas o grande drama é se ele terá maturidade e controle para atingir tal feito.

É um jogador de baixa inteligência emocional e isso é decisivo para que ele ainda não tenha atingido sucesso na sua obsessão de ser eleito o melhor do mundo, de fato, parece ainda estar longe disso. Olhe para os grandes atletas de hoje em dia, Roger Federer, Tom Brady, CR7, Messi, LeBron James, Bolt, reparem no equilíbrio que esses esportistas praticam a sua modalidade, como nada parece os abalar, a inteligência emocional é altíssima e faz com que esses super humanos desfrutem o máximo do seu potencial, do seu talento. Algo parece segurar Neymar no chão e o seu grande desafio é controlar o lado emocional e se manter equilibrado para ser decisivo em uma seleção que perde metade do potencial sem ele. Neymar tem sorte, Tite é um especialista em manejar esse tipo de situação, mas outro ponto é preocupante, depois de meses parado por uma contusão séria, Neymar está longe dos 100% e fora de ritmo, ele mesmo reconhece que esse será o maior desafio de sua carreira, mas para quem lembra do Ronaldo em 2002, se enche de esperança e otimismo, vamos ver o que acontecerá, mas com certeza Neymar é um dos protagonistas da Copa e ficar de olho nele significa acompanhar um ótima história.

Suiça – Shaqiri

E-03-destaque-suicaFonte: Alex Livesey/Getty Images Europe

Tá certo que os últimos anos não foram muito bons para o suiço nascido em Kosovo, Shaqiri, jogador desbocado, já criticou a velocidade do futebol italiano e a infra estrutura da Inter de Milão, no Stoke City declarou que nem Ronaldinho Gaúcho conseguiria fazer muito pelo time e de quebra ainda deixou em aberto a possibilidade de atuar pela seleção kosovar e trocar a seleção suiça após a eliminação para a Polônia na Euro onde não foi escolhido como capitão. A gente gosta desse tipo de atitude, mas no conservador meio futebolístico, a sinceridade não é muito motivada e acaba por ofuscar o bom futebol do jogador.

Mesmo com o momento difícil, Shaqiri chega como um dos destaques da Suiça nesta Copa, junto ao volante do Arsenal, Xhaqa. Atuando pela meia direita, é um jogador muito rápido e também muito criativo, usa bem a sua canhota para distribuir o jogo e por vezes, finalizar e marcar gols, como os três que meteu em Honduras na Copa passada na vitória por 3 a 0 que classificou o time às oitavas. Jogador com poder de mudar um jogo com o seu drible curto e suas boas finalizações de fora da área, forte, baixinho e muito veloz, já marcou 20 gols pela sua seleção. É esperar para ver se o esquentado meia conseguirá conduzir a Suiça rumo às oitavas em um grupo que é muito difícil para a seleção europeia.

Costa Rica – Keylor Navas

E-03-destaque-costaricaFonte: Reprodução

Como dito antes, nunca é um bom sinal quando um goleiro é o destaque do time, mas justiça seja feita, Keylor Navas, goleiro do Real Madrid de estatura média, 1,85m e 31 anos, fez um épico final de temporada pelo clube espanhol no ano de 2018. Mesmo não sendo unanimidade no clube, uma vez que o Real entrou de vez na briga pela contratação do companheiro de grupo, o guarda redes brasileiro, Alisson, Navas foi um dos protagonistas do quarto título consecutivo na Liga dos Campeões da equipe merengue, fez milagres na final, na semi e nas quartas, passando uma segurança para a defesa que a tempos não viamos nos galáticos.

Essa habilidade de crescer em momentos decisivos é que chamou a atenção do mundo para o costarriquenho que em 2014 fez uma Copa impecável, sem dúvida foi um dos melhores arqueiros do último mundial e garantiu um contrato com um dos maiores clubes da história. Vai jogar tudo o que pode porque sabe que uma boa Copa do Mundo pode garantir a camisa número 1 do Real Madrid muito mais do que uma exigência contratual, como a que fez para renovar com o clube, condicionando a sua permanência à não contratação de outro goleiro de alto nível.

Sérvia – Matic

E-03-destaque-serviaFonte: Matthew Lewis/Getty Images Europe

Seria o que chamamos aqui de motorzinho da seleção sérvia, um jogador de muita entrega tática e que vem se destacando na melhor liga do planeta, a Premier League. Foi peça fundamental no último título do Chelsea e chamou a atenção o Manchester United, se tornando hoje, uma peça essencial no time inglês. Atua como volante de saída, é peça importante na saída de jogo e também apoia o ataque muito bem, sempre levando perigo em suas subidas, mas quando precisa apoiar na marcação desempenha a função com muita competência.

Foi centro de uma polêmica mudança no seleção sérvia neste ano, quando o novo técnico definiu Kolarov como capitão e ele como vice capitão, tirando braçadeira que pertenceu por 6 anos ao lateral Ivanovic. Matic negou que o clima estivesse ruim e fim de papo, foco total na Copa e na Sérvia, país que já batizou uma rua em seu nome. Tem qualidade para que seu nome batize também monumentos, avenidas e afins, mas para isso precisará ser decisivo em um grupo muito complicado.

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BRASIL
Nação Zumbi – Bossa Nostra

SUIÇA
Pepe Lienhard Sextett – Happy People

COSTA RICA
Walter Ferguson – Carolyne

SÉRVIA
Popcycle – Vetar Je Jak

 


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