EURO – GRUPO A: RIVALIDADE ALÉM DO FUTEBOL

Dando sequência à fase de grupos da Eurocopa, o grupo A teve sua segunda rodada, na última terça-feira, marcada por violência entre torcedores de Polônia e Rússia que remete a questões geopolíticas históricas entre ambos os países, além da recuperação tcheca na competição.

 

 

Provocação russa na Polônia

GRÉCIA 1×2 REPÚBLICA TCHECA

Waclaw (Breslávia), Polônia

 

Após significativa derrota na rodada de abertura do Euro, a Seleção Tcheca conseguiu recuperação ao bater a Grécia por 2×1 graças a gols relâmpago de Petr Jirácek aos 3 e Václav Pilar aos 6 minutos de jogo.

Vantagem que destruiu toda e qualquer estratégia de jogo do time dirigido pelo técnico português Fernando Santos.

 

Tchecos superam gregos

O restante da 1ª etapa consistiu na Grécia tentando correr atrás do prejuízo prematuramente sofrido, porém novos reveses estariam destinados aos gregos, como a contusão do goleiro Kostas Chalkias, substituído por Michalis Sifakis.

Na melhor chance grega do 1º tempo, Giogos Fotakis anotou gol anulado pela arbitragem que assinalara posição fora de jogo do ataque helênico.

O gol grego surgiria no 2º tempo, aos 53 minutos de jogo graças a falha de Petr Cech. O goleiro do Chelsea soltou bola após cruzamento de Georgios Samaras e Theofanis Gekas não titubeou para marcar.

Esforço inútil para os gregos que veem o fim da Eurocopa mais próximo. Já os tchecos conseguiram sobrevida na competição com os três pontos somados.

 

POLÔNIA 1×1 RÚSSIA

Varsóvia, Polônia

 

Em clima tenso fora de campo, a Polônia teve que buscar empate contra a Rússia para conseguir o 1×1 final em Varsóvia.

A tensão, causada menos pelo futebol e mais por todas as questões históricas de dominação e rivalidade dos russos sobre os poloneses, deixou marcas na capital do país.

Entender o imbróglio russo-polaco não é tarefa simples e sequer trata-se de história recente. Na verdade, é algo que vem de alguns séculos de altos e baixos na história do país europeu oriental que co-sedia o Euro de 2012.

Deve-se considerar a Polônia, a grosso modo e no sentido de nação, como nascida no século X, mais precisamente no ano de 966, através do líder da época Miezko e com a adoção do Cristianismo como religião.

Logo em seguida, em 1025, é formado o reino da Polônia e em 1569 ocorre a associação com o Grande Ducado da Lituânia com a formação de uma espécie de Commonwealth entre Polônia e Lituânia.

Os problemas com a Rússia começam em 1795 quando ocorre uma partição das terras polonesas entre o reino da Prússia, a Áustria e exatamente o Império Russo. Começava aí a interposição histórica entre os dois países com períodos significativos de dominação russa sobre a Polônia.

Somente em 1918, com a 1ª Guerra Mundial, a Polônia reconquistaria a independência.

Porém, a independência política duraria pouco, já que em 1939, com o início da 2ª Guerra Mundial, a Alemanha nazista invadiria o país, fazendo com que a União Soviética promovesse sua invasão pelo leste.

De resto, os fatos estão mais frescos na cabeça de todos. Com o fim da guerra e o conseqüente início da chamada Guerra Fria, a Polônia, apesar de soberana em termos formais, permaneceria sob total domínio externo soviético até 1989 no processo que culminou com a queda do Muro de Berlim, trazendo de volta a democracia e a economia de mercado ao país.

Acrescente a toda essa bagagem histórica comum a ambos os países o fato de os torcedores russos presentes em Varsóvia terem comemorado o Dia Nacional da Rússia, com atitudes um tanto quanto provocativas ao país anfitrião.

O resultado não poderia ter sido outro além do registro de agressões e manifestações violentas pela capital polonesa, não bastassem os problemas de racismo que rondam a atual edição da Eurocopa.

Muito combustível para a partida que teve início no Estádio Norodowy com uma Rússia perigosa no ataque contando com o atacante do CSKA Moscou, Alan Dzagoev, de apenas 21 anos.

E foi dele o gol russo aos 37 minutos de jogo após cruzamento de Andrey Arshavin.

Os jogadores demonstravam muita luta e a Rússia poderia ter ampliado em lances de ataque perigosos até mesmo com dúvida a respeito de penalidade na área.

Os poloneses voltariam melhores na etapa final. Não que tivessem feito pouco na 1ª etapa, mas a equipe da casa parecia nervosa e os lances mais agudos haviam sido russos.

Para delírio do público anfitrião, o gol polonês sairia aos 57 minutos de jogo com Jakub Blaszczykowski em jogada de campeões alemães do Borussia Dortmund, graças a belo passe de Lukasz Piszczek.

A Polônia ainda sondaria a área russa, mas o placar permaneceria no 1×1.

 

A classificação do grupo agora apresenta a liderança ainda da Rússia com 4 pontos, a República Tcheca saiu da lanterna e pulou para a vice-liderança com 3 pontos, a Polônia tem 2 e a Grécia fica com 1 ponto.

Todas as seleções ainda possuem chances de classificação e a rodada final terá República Tcheca x Polônia e Grécia x Rússia.

Será uma rodada final emocionante.


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