Chazinho de Coca – O projeto de Robinho X O projeto do Santos

Robinho não surgiu no Santos. Ele explodiu!

Fez parte de uma geração de jovens e talentosos jogadores que resgataram o moral e a dignidade de um clube enorme, mas que vinha há anos vivendo a margem de sua história.

No Santos de 2002, Robinho era a estrela, a cereja do bolo. Sua enorme capacidade de driblar e entrelaçar as pernas dos pobres marcadores mostrava-se fora do comum. Franzino, mas sem medo de encarar os brutamontes que tentavam, em vão, lhe acertar as canelas finas. Robinho era também dono de uma personalidade divertida, agradável, muitas vezes beirando o infantil. Infância a qual ela acabará de deixar.

Robinho demoliu o bom Corinthians de Carlos Alberto Parreira na final do BR02. Consolidou-se. Virou estrela. Tornou-se o novo xodó de uma torcida ávida por novos ídolos. Virou, nas palavras de Milton Neves, “Robinho Arantes do Nascimento”.

Exageros a parte, Robinho era sim diferente. E dele se esperava muito, muito mais do que aquilo que ele já produzia.

Robinho voltou a ser campeão brasileiro pelo Peixe em 2004, mas já vinha a algum tempo sofrendo assédio dos enormes do exterior.

Robinho era no novo Pelé? Só nas boas piadas de Milton “Cabeça” Neves. Ele era sim muito bom. Desde Giovanni que o Santos não tinha alguém daquele nível. Com uma vantagem para Robinho. Giovanni não conquistou 2 brasileiros pelo clube.

Nesse meio tempo, passou a fazer parte das convocações pré-olímpicas. E junto daquela seleção, naufragou.

A personalidade divertida passou a ser considerada, para muitos, algo que soava como irresponsável.

Enquanto isso, o Santos começava a conviver com as especulações em torno de sua estrela. Segurou-se bem, até surgir o Real Madrid. O dito “maior clube do mundo” chegou aplicando uma voadora com os dois pés no peito santista, tamanho era o caminhão de dinheiro que despejou na Vila.

Não tinha como dizer não. Robinho não queria dizer não.

O meninote da Vila partia para a Espanha com um planejamento já bem definido por seus managers – Ser o melhor do mundo – Nunca passou nem perto disso.

Enquanto isso explodiam Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. E no Real Robinho patinava para conseguir seu espaço no time.

Passadas temporadas, o público já olhava para aquele diamante descoberto na Vila como uma jóia sem muito mais o que se lapidar. A esperança passava agora pela desconfiança. E Robinho nunca tratou de mudar essa tendência.

Logo ele arrumou N desculpas e se mandou para o novo rico do futebol – O Manchester City.

Um novo rico sem 1% a história do Real. Um clube que não era nem o maior de sua cidade, onde o grande é o enorme United.

Era muita derrota sair de um clube que sempre briga por Champions League e ir para um que mal consegue estar nessa competição.

Entretanto, no City Robinho seria, teoricamente, a estrela da equipe. “Reinaria” acima do bem e do mal. Só que mais uma vez, não foi bem assim.

Logo chegou Carlitos Teves ao City, que se não é um primor de técnica, é um jogador que se entrega 110%, ao contrário do brasileiro. Robinho conseguiu não ser a estrela nem no modesto City.

Ao contrário de Carlitos, Robinho nunca desenvolveu grande condição de goleador. Parece que bastou sua natural facilidade no drible. Mas habilidade só não basta. Vide Denilson. O futebol atual pede muito, mas MUITO mais do que isso.

Robinho parou no tempo, ainda que um curto tempo. Curto o suficiente para que ele possa retomar um progresso.

Porém, mais recentemente começou a não ser nem relacionado para os jogos do City, e mais uma vez criou uma situação para sua saída.

Dessa vez Robinho pretende retornar ao Santos. Feito isso, terá assinado de uma vez o seu fracasso na Europa. Com 26 anos, ele precisa muito mais resgatar sua condição de bom jogador do que pensar em ser o melhor do mundo. Com 22 anos Messi já é. Cristiano Ronaldo também. Ambos são as estrelas do atual futebol, já Robinho…

Mesmo na seleção brasileira, onde sempre contou com a simpatia do “professor” Dunga – até porque sempre esteve melhor com a amarelinha do que nos seus clubes pela Europa – Robinho já começa a ser contestado. Sobretudo pela retomada do bom futebol de Ronaldinho Gaucho, que convenhamos, na ponta dos cascos é muito mais bola do que Robinho.

Mas se o porto seguro dele é o Brasil, é o Santos, que assim seja. Quem sabe aquele meninote cheio de ginga de outrora não retome seu caminho.

Pode dar certo, muito certo. Mas pode não dar. Robinho demonstra ter um projeto próprio, assim como Vagner Love quando voltou ao Palmeiras.
Enquanto o clube pensa em títulos, em alcançar Libertadores, Robinho pensa na seleção, pensa na Copa que começa a lhe escapar por entre os dedos. Assim como foi V. Love no Palmeiras.

Love mostrou-se completamente descompromissado com o clube que se esforçou para repatriá-lo. Robinho demonstrou o mesmo nas passagens por Real e City

Eu, que apostei alto no rapaz quando ele explodiu como um candidato a gênio naquele Santos de 2002, torço para que resgate seu jogo, para que ele busque o que lhe faltou na Europa. Mas não deposito em Robinho a esperança de sucesso santista em 2010. Um Robinho só não faz verão. E nesse atual Santos – ainda que ele faça o elo das gerações com Giovanni e Neymar – a esperança recairá todinha sobre seus ombros.

Resta saber se o projeto “Robinho” dará liga com o projeto do Santos.

O que o feroz aí acha. Robinho dará certo em seu retorno ao Santos?

Responda a enquete marota e cheia de ginga no canto superior direito do blog.

Cheers,

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