UMA ENORME PREGUIÇA INSTAURADA

Deu o que tinha que dar. Corinthians campeão da Recopa Sulamericana. Em dois jogos ficou evidente o abismo que separa o alvinegro do São Paulo. O resultado foi o esperado, mas a maneira como o derrotado se entregou em campo é que assusta.

Clássicos equilibram os desiguais. Geralmente isso se dá na base da vontade, da superação, da gana por não ser abatido pelo rival. Palmeiras e Corinthians, rebaixados em 2002 e 2007, respectivamente, mostravam isso. Ambos não perderam nenhum clássico em suas campanhas vexatórias. Encararam os cotejos diante dos maiores rivais como campeonatos distintos e ainda que tecnicamente inferiores, suaram sangue e não saíram derrotados.

Em 2006 o São Paulo campeão da Libertadores encarou o Palmeiras nas oitavas de final da edição daquele ano da maior competição das Américas. E se no ano anterior a vitória tricolor veio no quesito técnico, naquele ano o fator físico mostrava-se a maior barreira ao alviverde. Em campo a diferença era tão grande, que me lembro de comentar com um amigo que acompanhava a peleja ao meu lado que aquilo parecia uma corrida entre ferraris e fuscas. Eram tempos de desmoronamento estrutural do Palmeiras, com seu departamento físico sendo esculachado e institucionalmente a já tão conhecida zona histórica.

Ainda assim, diante de um rival nitidamente superior em todos os sentidos, aquele alviverde de um Edmundo já em fim de carreira, encarou o tricolor na base da superação. Se não conseguia trocar 3 passes ou não chegava adiantado em uma bola, chegou junto em cada dividida, encarava os jogadores rivais nos olhos, suando sangue como se fosse uma questão de vida. O empate na primeira partida surpreendeu. Já na segunda etapa o alviverde teve até chances de fazer 2X1. Mas acabou derrotado por esse placar e depois seguiu sua temporada medíocre, enquanto o São Paulo sagrou-se campeão brasileiro daquele ano.

A derrota são paulina na noite da última quarta-feira escancarou algo muito pior que a nona partida sem vitória. Falta ao time gana, vibração. Perdeu para o Corinthians na técnica e na condição física. Assistindo ao jogo, me veio nitidamente àquela comparação que eu havia feito em 2006. Uma disputa entre ferraris e fuscas.

Óbvio que a culpa pelo momento desastroso passa, sobretudo, pela perpetuação do retrogrado Juvenal Juvencio no poder, que lançou o São Paulo algumas décadas no passado. Mas isso não justifica a apatia do time em campo.

Não há cabeças de bagre no time de Paulo Autuori, mas não há em quem confiar tecnicamente. E quem deveria assumir a responsabilidade técnica vive momento desastroso e vergonhoso. Rogério Ceni, Lucio, Ganso e Luis Fabiano, que deveriam ser a espinha dorsal desse time, sucumbem facilmente ao menor desafio imposto. O resto do time é homogêneo demais, todo mundo muito igual. Não há para onde fugir. Não há como enxergar uma saída emergencial.

O São Paulo atual é a imagem da derrota antes mesmo do jogo começar.  Parece um enorme caldeirão de feijoada. Uma enorme preguiça instaurada.

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