“THERE´S ONLY ONE CITY”

Não da para ser simpatizante em futebol. Não dá para ser simpático a certo clube. Em futebol você ama demais, você exacerba seus sentimentos por sua agremiação do coração.

Se você deixou de ter interesse pelo futebol, desculpe lhe informar, mas você nunca se interessou de fato. Se você não liga se seu clube está em um momento de ostracismo, me perdoe, mas talvez o seu esporte não seja o futebol.

O futebol te obriga a vivê-lo, a senti-lo. Obriga-te a ser parceiro do seu clube de alma no amor e na dor. É fácil ser no amor. Mostra-se forte de verdade a torcida que o é em momentos de dor. Em quarenta e quatro anos dessa dor.

Mostra-se forte de verdade o clube que após 44 anos vivendo as sombras endiabradas de seus vizinhos de maior sucesso, veste enfim “as botas de Jimmy Grimble”, vence o complexo de vira-lata e mostra ao mundo sua nova vocação.

A média de mais de 40 mil pagantes por jogo comprova a nova vocação dos azuis de Manchester. Mas não viesse o decantado título e na temporada seguinte lá estariam eles novamente. 40 mil em campo, centenas de milhares espalhados por Manchester, milhões e milhões distribuídos por 44 anos de espera, alguns nem mais vivos nesta Terra, outros com uma vida construída sem conhecer o sabor da glória. Mas todos conhecedores e detentores do elixir maior do futebol: A inconseqüente paixão pelo clube do coração.

Assim como na história do “Primeiro e Único Jimmy Grimble”, coube ainda ao City externar suas mazelas históricas na última barreira que o separava da consagração. O talento comprovado de seus condutores, momentaneamente diminuído perante o êxito do rival há quilômetros dali. A difamação e a piada gratuita de seus contrários aumentando a cada novo giro do cruel ponteiro do relógio de sua senhoria, o árbitro.

Assim como Jimmy Grimble na ficção, soube o City, na vivência daquela dura realidade, calçar “a botina” da confiança esvaziada por anos como coadjuvante e tornar-se ali, naqueles 5 minutos acrescidos por sua senhoria, o árbitro, o maior de Manchester. Na confiança que sempre lhe faltou em campo, mas nunca se ausentou das arquibancadas, ressurgiu das cinzas do ostracismo de décadas e pode enfim ser o number one inglês.

Por que assim é o futebol. É em histórias como a do magnífico título do Manchester City que ele cresce e vive sua pungente existência. É ele quem dá ao torcedor do mundo a possibilidade de vibrar, ainda que em freqüências reduzidas, com a alegria imensurável daquela gente de azul.

 

“There’s Only One Jimmy Grimble” é uma produção franco-inglesa de 2000 dirigida por John Hay. Mostra a vida de Jimmy, um garoto tímido que quando ninguém está o observando, mostra uma habilidade monstruosa com a bola nos pés, mas quando as pessoas o olham vira um  perna-de-pau. Para piorar Jimmy é torcedor do Manchester City e na escola vive sendo vítima dos coleguinhas que em sua maioria são torcedores do Manchester United. Mas um belo dia ele ganha um par de chuteiras que muda a sua vida para sempre.

 

Cheers,


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