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BOMBARDEIO BARÇA

Lionel Messi: 24 anos e 194 gols na carreira

Sem perdão. Assim foi o Barcelona em Minsk, Bielorrússia, contra o “sparring” saco de pancadas dos campeões europeus, o BATE Borisov, que levou impiedosos 5×0 com dois gols do genial Lionel Messi pela 2ª rodada do grupo H da UEFA Champions League.

 Não bastasse toda a superioridade catalã, o meio-campista Aleksandr Volodko resolveu dar a mãozinha inicial para o “passeio Barça” ao marcar contra o patrimônio e abrir o placar.

 Pedro ampliou na sequência e Lionel Messi fez o seu primeiro gol antes do intervalo graças a nova falha defensiva do BATE Borisov, desta vez de autoria do goleiro Aleksandr Gutor.

 O passeio era flagrante. Mesmo com o pé no freio, o Barça mantinha aqueles tradicionais 70% de posse de bola na partida (73% neste jogo!). Messi ampliou com belo chute forte e alto aos 11 minutos do 2º tempo. No final, David Villa ainda marcou o quinto gol do Barça.

 Quando se vê tal espetáculo de Messi e companhia, logo vem a indagação: quem poderá parar o Barcelona?

 Candidatos há. Especulou-se sobre a capacidade do time de Josep Guardiola manter o altíssimo nível da temporada passada. A dúvida veio à tona quando o time empatou alguns jogos.

 Pois bem, a média superior a três gols por partida deve desmentir as suspeitas. Alguns desfalques em certos momentos reforçam os argumentos pró-Barça.

 Voltando aos candidatos a bater os catalães, sem dúvida que Real Madrid e Bayern de Munique são os mais habilitados até o momento, não desprezando o Manchester United, completo e com Alex Ferguson acertando na montagem da equipe para o eventual confronto, diferente da final de maio último em Wembley.

 

Zlatan Ibrahimovic: sempre o melhor "rossonero" em campo

Na outra partida do grupo, o Milan recebeu o Viktoria Plzen no Estádio San Siro de Milão.

 O outrora copeiro Milan mostra-se sonolento, sem apetite neste início de temporada. Claro, os sete desfalques no elenco pesam. Mas, ao ver a equipe de Massimiliano Allegri em campo, conclui-se que os rubro-negros gostariam que o mundo acabasse em barranco.

 A vitória por 2×0 foi construída a muito custo no 2º tempo e graças a pênalti interpretativo após a bola de Zlatan Ibrahimovic tocar no braço de Marian Cisovsky. Antonio Cassano fez o segundo e definiu a partida para o Milan que fez apenas o suficiente para vencer e garantir o segundo lugar no grupo com os mesmos 4 pontos do líder Barcelona, mas atrás em gols.

 Pelo grupo E, o Chelsea foi a Espanha enfrentar o Valencia, vencia por 1×0 até os 42 minutos do 2º tempo, mas concedeu penalidade e Roberto Soldado empatou. 1×1 no final.

 Já na Alemanha, o Bayer Leverkusen derrotou o Genk por 2×0 com gols de Lars Bender e de Michael Ballack nos acréscimos.

 Após a rodada, o grupo ficou embolado. Diferença exata de 1 ponto entre cada equipe. O Chelsea lidera com 4 pontos. Bayer Leverkusen tem 3, Valencia está com 2 pontos e o Genk é o lanterna com 1. Todos permanecem com chances de classificação.

 

André Santos vibra com seu gol

Se as coisas não vão bem para o Arsenal de Arsene Wenger na Premier League, o alívio das tristezas encontra-se na Champions. Os “Gunners” receberam os gregos do Olympiacos no Emirates Stadium de Londres e fizeram 2×1. Alex Oxlade-Chamberlain abriu o placar aos 8 minutos e, acredite se quiser, André Santos ampliou aos 20. David Fuster diminuiu 7 minutos depois. Com o gol de hoje, Chamberlain tornou-se o mais jovem jogador inglês a marcar na UCL. Já para André Santos foi providencial fazer o seu. Mal chegara e o brasileiro já era contestado após falhas na Premier League.

 Tudo muito bem para os ingleses, mas o líder do grupo é o Olympique Marseille que fez surpreendentes 3×0 no Borussia Dortmund. A surpresa não está na vitória, afinal, o jogo era em Marseille. Normal que os locais vençam. O que o técnico Jürgen Klopp não imaginaria sequer nos piores pesadelos é a extensão do placar.

 O dois gols de André Awey, além do tento de Loïc Remy serviram para mostrar a Europa a competência do trabalho do técnico Didier Deschamps.

 São duas vitórias e 6 pontos para o Marseille, o Arsenal fica com 4. Preocupante é a situação do Dortmund: apenas 1 ponto e distante da zona de classificação. O Genk está sem pontos.

 Virada em São Petersburgo garantiu a vitória dos anfitriões do Zenit contra o FC Porto pelo grupo G. James Rodriguez abriu o placar para os portugueses, mas Roman Shirokov marcou dois e fez a alegria da torcida local. Danny fechou os 3×1 para os russos. Foi a primeira vitória do Zenit. Decepção para os portistas que, após boa estreia, amargaram derrota inesperada fora de casa.

 Na outra partida, o brasileiro Jadson livrou o Shakhtar Donetsk de derrota em casa para o APOEL. Os cipriotas abriram o placar no 2º tempo com Ivan Trickovski. O empate final veio 3 minutos após. 1×1 no final.

 Disputa parelha na classificação do grupo. O APOEL lidera com 4 pontos, Zenit e Porto ficam com 3 e o Shakhtar Donetsk tem 1 ponto. Todos seguem com chances de classificação.

 Segunda rodada da Champions finalizada. A lógica prevalece em alguns grupos como o H de Barcelona e Milan. Em outros, indefinição, e, ainda em outros, favoritos ficando para trás até o momento.

 A próxima rodada da UCL rola nos dias 18 e 19 de outubro.

FC BARCELONA E LIONEL MESSI: ESCREVENDO A HISTÓRIA

Foto de campeão com a taça

Parecia videogame. Passes rápidos e precisos, variações de jogadas, inversões de posicionamento, dribles desconcertantes do principal jogador, além de uma pitada de sorte, já que ninguém é de ferro. Assim foi o Barcelona na partida final da UEFA Champions League, sábado em Londres, jogando contra o Manchester United no estádio de Wembley. Um time de craques com um supercraque no elenco: Lionel Messi.

Taça chegando

O clima de gala prometia um grande jogo. O Barcelona com três Champions League na bagagem, além do título nacional da temporada. Exatamente igual ao adversário Manchester United: três Liga dos Campeões e a conquista da Premier League.

Josep Gaurdiola iniciou a decisão levando a campo a formação clássica do Barça. A destacar somente a ausência de Carles Puyol, sem condições físicas para suportar a partida por inteiro. Javier Mascherano formou dupla de zaga com Gerard Piqué. No Manchester United, havia a dúvida se Alex Ferguson colocaria Darren Fletcher para fechar a defesa e sacar um atacante. Nada disso. Corajosamente, Javier “Chicharito” Hernandez estava confirmado no ataque ao lado de Wayne Rooney.

Pressão inicial do Man U. Valdez afastando perigo na frente de Rooney.

E se alguém, completamente desatualizado de futebol, caísse de pára-quedas em Wembley para o início do jogo, concluiria sem esforço que o Manchester era o lado mais forte. Foram 10 minutos surpreendentes de pressão sobre o Barça. Um futebol sufocante dos ingleses, com Park Ji-Sung não permitindo que Daniel Alves controlasse seu lado do campo. Mas, alegria do mais fraco dura pouco e os catalães, logo em seguida, colocaram a bola no chão e conseguiram impor seu ritmo avassalador. E foi isso. Daí em diante, o de sempre, isto é, mais do mesmo. Mas que “mesmo”! Afinal, seria demais esperar que a pressão “Red Devil” durasse 90 minutos.

Pedro abrindo o placar

No meio de campo, Xavi e Andrés Iniesta passeavam na frente de Ryan Giggs. Messi começava a mostrar sua mágica. Nemanja Vidic fazia grande atuação na defesa do Man U, mas o louvável esforço era em vão. Chicharito Hernandez jogava à la Filippo Inzaghi, sempre no limite da linha de impedimento. Foram quatro dele assinalados em menos de 30 minutos de jogo. O gol era questão de tempo. E veio aos 27 minutos. Pedro, até então sumido no ataque pelo lado esquerdo, faz a inversão e, caindo pela direita, recebe passe perfeito de Xavi para marcar.

Rooney e Evra. Man U de volta ao jogo.

A porta estava aberta para mais show. O Man U agora limitava-se a ver o Barça tocar a bola com maestria. Quando detinham a posse de bola, os jogadores do Manchester faziam lançamentos buscando um pivô na intermediária adversária para escorar e buscar alguém livre para concluir. Sem sucesso. Ainda assim, aos 34 minutos, em grande jogada de Wayne Rooney, Ryan Giggs recebe em posição fora de jogo e devolve para o próprio Rooney completar com categoria. Seria o único chute certo a gol do Man U em toda a partida.

Rooney sente repetição de 2009 e comemoração do Barça ao fundo no 2º gol.

No segundo tempo, Guardiola tratou de alertar sua equipe para manter a posse de bola desde o início e evitar pressão do United como no começo do jogo. E a posse de bola do Barça alcançou picos de inacreditáveis 70%. As chances de gol se repetiam.  Quis o destino que o segundo gol do Barça fosse marcado por Lionel Messi através de falha do goleiro Edwin Van der Sar que se despedia do futebol. Aos 9 minutos, Messi recebe na intermediária direita, avança e próximo à meia lua arremata no meio do gol. Van der Sar aceita. Vibrante comemoração do comedido Messi e de todos os seus companheiros.

David Villa e seu gol de placa

Ferguson tentaria algo ao colocar o português Nani no lugar do brasileiro Fábio, mas foi exatamente Nani que sofreu no terceiro e consagrador gol do Barcelona. Aos 24 minutos, jogada magistral de Messi na ponta direita, driblando Nani, penetrando como um trator pela área, driblando Patrice Evra e tocando. Michael Carrick corta para Nani, que não domina passe à queima roupa. Sérgio Busquets retoma a bola para o Barça e toca para David Villa bater colocado no canto esquerdo alto de Van der Sar. Um golaço apoteótico para o melhor time do mundo selar a vitória e o título. Vitória incontestável do Barcelona. Festa dos jogadores e o capitão Puyol, em gesto nobre, cede a honra de receber a taça ao recém recuperado de cirurgia Eric Abidal.

Logo após a partida, a primeira impressão era de que a equipe do Manchester United tinha deixado a desejar, que havia jogado aquém de suas possibilidades. Contudo, ao verificar as estatísticas da partida, fica flagrante a superioridade do Barcelona. Foram 68% do tempo de posse de bola. Não há melhor esquema defensivo no mundo. Não ceder a posse de bola ao adversário na maior parte do tempo significa não permitir que ele crie, atue, agrida sua meta. Quanto aos chutes a gol foram 22 do Barcelona contra apenas 4 do Manchester United. Além de toda a matemática favorável, vale dizer que o Manchester não teve sequer um escanteio em 90 minutos.

O que o Barcelona atual faz é reduzir grandes adversários a times pequenos em campo. As estatísticas são de jogo entre um grande e um pequeno do campeonato espanhol. Esta seria a segunda conclusão do paraquedista desavisado que desceu em Wembley, após 90 minutos de espetáculo. Trata-se de uma equipe de craques com toque de bola refinado, com níveis físico e de concentração altíssimos para manter o ritmo durante todo o jogo. Alex Ferguson declararia após a partida que nunca havia visto equipe tão forte em sua carreira como técnico. Jogadores do Manchester todos resignados.

Maicon marcando pela Inter contra o Barcelona em Milão. UCL 2009-2010

Mas, perguntar não ofende. Time imbatível? José Mourinho e seus “Blue Caps” da Inter de Milão mostraram que não em 2010. Derrotaram o mesmo Barcelona por 3 a 1 em Milão. Em Barcelona, jogando a maior parte do tempo com 10 jogadores, o treinador português armou um “catenaccio” para causar inveja a qualquer técnico italiano que se preze. Mourinho chegou perto do feito novamente com o Real Madrid. O jogo era difícil, mas sob relativo controle dentro de um 0 a 0 em Madrid. Mas Pepe, com seu gesto de carinho para com Daniel Alves, provocou sua expulsão. A vaca e os bezerros foram para o brejo juntos. Messi deitou e rolou e o Barça fez 2 a 0. Na volta, heroicamente, o Madrid ainda arrancou empate de 1 a 1. O próprio Manchester poderia ter feito mais em Wembley. Ryan Giggs esteve mal em campo. Viu os centrais do Barça passearem à sua frente. Antonio Valencia abusou das faltas, completamente fora de tempo nas jogadas, parecia desatento. Sem mencionar a falha de Van der Sar no segundo gol do Barcelona. Alex Ferguson, ainda que corajoso por não colocar um volante em detrimento de um atacante, armou mal e substituiu igualmente  mal ao optar por Paul Scholes, inoperante, no lugar de Carrick, quando tinha Anderson em ótima fase para agredir a defesa adversária.

Perguntar duas ou três vezes também não ofende. O melhor time de todos os tempos? Messi, o melhor de todos os tempos?  Perdão pelo clichê, mas só o tempo vai dizer. Há uma série de fatores para que isso aconteça. Quanto ao Barça, terá que ganhar títulos europeus em sequência por alguns anos. Terá que superar em números equipes legendárias como o Real Madrid de Di Stefano e Puskas ou o Ajax de Crujff. Terá que manter o elenco e, se necessário, reforçá-lo, torcendo para que nenhum bilionário maluco venha com um Airbus irrecusável de dinheiro querendo levar duas ou três peças chave para seu time. Quanto ao craque argentino, é bom lembrar que em 2006, quando Ronaldinho Gaúcho voava baixo, muitos já discutiam se ele já havia superado Diego Maradona (Pelé no Brasil é “hors concours” até hoje). Em seguida, a luz de Dinho diminuiu e ficou claro o quão precipitada era a comparação. Há uma série de fatores. Messi está com apenas 23 anos. Terá que ter a sorte de não sofrer lesões graves como Ronaldo ou Kaká. Há que se ver se o jovem talentoso-milionário-famoso não vai cair de quatro por uma sex symbol qualquer e se isso vai desviar ou não seu foco. E mais, Messi terá que se tornar herói em seu país de origem. Ou seja, o cara precisa levar a Copa do Mundo de volta para Buenos Aires, como fez “El Pibe” Maradona. De preferência, roubando todas as atenções do mundo para seu futebol durante o evento. Tudo bem dramático ao melhor estilo do tango portenho.  O melhor, por enquanto, é curtir. Curtir esse time maravilhoso do Barcelona e seu gênio maior em campo. Afinal, quem sabe o Brasil não seja o palco onde Lionel Messi reinará definitivamente em 2014? Confira o possível aperitivo de Messi para a Copa de 2014 contra os futuros anfitriões em amistoso no Catar.

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