Os Dois Lados da Moeda: Eu e minha má vontade com o SPFC.

Chegamos ao final de um disputadíssimo Brasileirão e, salvo a remota hipótese de cometer um tropeço gigantesco, o tricolor do Morumbi já é sagrado e consagrado campeão. Vendo a tabela, seria difícil acreditar que a taça pudesse escapar das mãos de qualquer que fosse o clube que estivesse nas condições do atual líder da competição. Em se tratando do São Paulo, arriscaria alto para dizer: é impossível que ela mude de dono.

Pois assim sempre foi o São Paulo – ao mesnos desde que comecei a acompanhar futebol. Salvo raríssimos momentos (uma janela na virada do milênio) o SPFC não patinou. São os germânicos do futebol brasileiro. Não se afobam, trabalham em silêncio e, quando vemos, lá estão.

Como é irritante um time organizado como o São Paulo. Não é novelesco, raramente consegue-se criar uma polêmica com os ventos vindos do Morumbi. Lida com suas pendengas de forma tão adulta que se torna tedioso.

Costumo pensar que isso deriva de uma certa postura que o SPFC faz questão de manter, desde a diretoria: o culto à personalidade pelas plagas do tricolor é contido, exige eleições de dois em dois anos. Isso, possivelmente, irradia. Ninguém no SPFC é maior que o SPFC. Nem o agora tri-campeão Muricy, nem o maior goleiro artilheiro da história Rogério, nem JJ nem Marco Aurélio Cunha nem a própria torcida. O SPFC consegue equilibrar as tensões de todos os lados e com isso chegar a resultados.

Vejamos o caso curioso da torcida. Há três rodadas o SPFC possivelmente não estava entre os 10 maiores públicos do Brasileirão. Até que Muricy convocou e os São-Paulinos compareceram.

Diz-se que o torcedor São-Paulino é blasé e menos apaixonado – até oportunista, só acompanha o time na final. Pode ser. Mas também pode ser que o torcedor são-paulino nutra um amor mais maduro pelo seu time: “Você sabe que estou aqui. Mostre-me que você vale meu amor e estarei ao seu lado, mas não me iluda com promessas vãs, Imperadores e que tais”.

O universo do futebol traz a tona nossas emoções mais primitivas. Como é detestável um time como o São Paulo, que, num cenário de clubes que ainda engatinham em termos de organização, já chegou, há muitos anos, na maioridade.

Enfim, só me resta dizer: SPFC, a medida da minha indisposição contigo é a mesma da minha admiração e, porque não dizer, inveja. Parabéns pelo Hexa!


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