O DIA ENFIM CHEGOU. SÃO MARCOS PAROU.

Nunca fui afeito a misturar reza com futebol. Nunca fui de pedir a “Deus” que dê ao meu time algo em detrimento ao outro. Afinal, entendo ser de merecimento do que se pratica na esfera humana o resultado positivo ou negativo. A vitória ou a derrota.

Entretanto, há um santo para o qual destino meus pedidos desde um já longínquo 12 de maio de 1998, quando ainda humanizado, o Santo da camisa 12 realizou os primeiros de seus tantos e inesquecíveis milagres. Santo de carne e osso. Que sente dores, sempre sobrepostas por devoção a um de seus amores.

O Marcos ama o Palmeiras que é dele, que é meu, que é nosso. Ama no gramado o mesmo amor dos que estão na arquibancada, com o ouvido grudado no radinho, em algum ponto do planeta ligado na web, onde quer que seja ou com o que quer que seja.

Debaixo das traves ele ama o Palmeiras realizando as façanhas que todos nós gostaríamos de ter realizado. Fora dos campos ele ama o Palmeiras quando extrapola o que diz, quando extravasa sua decepção por tratarem como algo menor, aquilo que ocupa espaço tão grande em seu coração.

Campeão pela seleção, na volta Marcão vestia a camisa do Verdão. Pense bem nisso.

Campeão pela seleção e rebaixado pelo Verdão, Marcão ao Arsenal disse não e subiu, jogando nos esburacados certames da segunda divisão. Mais do que pensar nisso, exalte esse feito.

Nele reside a quebra de um paradigma que acompanha todo torcedor de futebol. O de que os jogadores são substituíveis, já o clube é eterno. Meia verdade. O clube é eterno, mas para um cara feito o Marcos não haverá substituto.

Certa vez escrevi que “O Marcão não é maior que o Palmeiras, mas ele é a personificação maior do amor que o palmeirense tem pelo Palmeiras”.

E ele é mesmo. E ele sabe disso. E é provavelmente por isso que o amor do Marcão pelo Palmeiras o fez superar tudo quanto foi dor.

Até que o humano falou mais alto que o Santo. Até por que, como costumam dizer, chega uma hora que “não há santo que ajude”. Nem quando se é o próprio santo.

Acaba com a carreira de Marcos o ato de beijar a camisa e dormir depois com a consciência tranqüila. Isso, a partir dessa quarta-feira, 04 de janeiro de 2012, definitivamente acabou.

Acabou talvez o último arroubo de um futebol que já não existe mais. O futebol visceral, de alma, de paixão, de fibra, de identificação.

Perde o último ídolo dos gramados o alviverde, mas perde também o esporte. Vence o maldito futebol moderno de falsos ídolos, de jogadores de plástico. De empresários e dirigentes que entendem muito de finanças e negócios, mas não entendem nada, absolutamente nada de futebol.

Sinto pelas próximas gerações de torcedores que dificilmente terão, vestindo seus mantos sagrados, representantes dignos de sua paixão.

Dos gramados que me deram tantos ídolos, Marcos foi o maior de todos. Representou-me melhor do que todos os outros.

Parece pífio, por vezes raso e superficial, mas quem vive futebol e entende que num clube está muito mais do que um time, mas a essência de toda uma estirpe, padece também, alguns mais, outros menos, da tristeza que hoje sinto eu, que sente todo palmeirense vivo.

Que enxerga no bem que o ídolo te proporciona, a representação do que você gostaria também de fazer pelo seu time.

A tristeza é como a da perda de um título. Maior, talvez. Mas o orgulho por tê-lo tido em nossas fileiras é maior que tudo isso.

Salve São Marcos. Obrigado por sempre.


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