MELANCÓLICO

O Coritiba não é muita coisa melhor que a Ponte Preta. Dois ou três times são melhores que o Grêmio no país.

Esse mesmo Palmeiras atropelou a Ponte duas rodadas antes e hoje perdeu de maneira estapafúrdia para o Coritiba. O mesmo Coritiba sobre o qual esse mesmo Palmeiras foi campeão da Copa do Brasil há exatos três meses.

Esse mesmo Palmeiras eliminou o Grêmio de forma categórica nas semifinais da mesma Copa do Brasil. Hoje o Grêmio assumiu a vice-liderança em um campeonato onde o Palmeiras tem praticamente decretado o seu rebaixamento, restando ainda nove rodadas.

Então não pode ser somente técnica a justificativa para o melancólico campeonato que o campeão da Copa do Brasil vem fazendo. Tem algo a mais aí.

A eterna crise política não pode ser sempre a muleta. Não pode ser essa justificativa que faça Maikon Leite e Daniel Carvalho não acertar um passe sequer e entrar em campo como se tivessem acabado de comer uma dobradinha.

O pênalti infantil de Mauricio Ramos. Os cartões amarelos sendo aplicados nas testas dos alviverdes como se o juiz estivesse vencendo uma partida de truco contra eles, em faltas bisonhas, em lances ridículos. Como entender a contratação do aposentado Leandro?

Alguém ganha com tudo isso. E esse alguém não é o Palmeiras.

Deve haver algo além do rendimento técnico. Tem que ter. Para o bem deles, inclusive.

Caindo agora, ano que vem não devem mais vestir verde. Como dirão aos seus futuros empregadores que suas bolinhas são tão murchas? Como conseguirão outro trouxa que pague o que eles recebem hoje no Palmeiras?

Como consegue um clube ser campeão invicto de uma competição nacional e no mesmo ano ser rebaixado na outra?

Como consegue um clube durante a tarde anunciar festividades em homenagem ao maior ídolo de sua história e na noite do mesmo dia praticamente anular toda a expectativa positiva em torno da despedida ao ídolo maior?

Que contra-senso é esse? Que montanha russa de sentimentos e perspectivas é essa?

O Palmeiras está doente e tem nove jogos para tentar se salvar da cova quase certa. Passa por extirpar as doenças a cada vez menos possível salvação. Passa por tentar medicação paliativa, mais uma vez.

Afastar amanhã os descompromissados, os que não perdem peso, não perdem tempo, não perdem a pose. Lançar quem precisa ainda buscar algo. Quem tem no combalido Palmeiras a esperança de ainda virar alguém.

Não é o ideal. Mas o Palmeiras não é ideal há tempos.

Veio o rebaixamento em 2002 e em 2003 tudo caminhava dentro da mesma falta de perspectiva. Até que a derrota por 7X2 contra o Vitória mudou tudo. Saíram os medalhões que ainda restavam e subiu a molecada que no final do ano levou o time de volta à elite. No ano seguinte fez ainda grande campanha, carimbando vaga na Libertadores de 2005.

Ainda nessa quinta-feira, no anúncio das homenagens ao goleiro Marcos, o presidente Tirone disse, de forma categórica, firme como um ditador de bananeiras: “Não aceito o rebaixamento!”.

Piadista que só.

O exemplo da radical mudança no elenco de 2003 serve ainda. Pelo menos afastando quem afasta o Palmeiras de seu lugar. O do rebaixamento em 2002, infelizmente, 10 anos depois, parece que de nada serviu.

 


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