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BRASIL: CENTRO MUNDIAL DE MEGA EVENTOS. E DE MEGA GASTANÇAS

Texto originalmente feito para o curso de Pós Graduação em Jornalismo Esportivo da Universidade Anhembi Morumbi, módulo “Mega Eventos Esportivos”, ministrado pelo jornalista Mauricio Noriega.

 

Por João Paulo Tozo

Na esteira dos mega eventos que o país se prepara para receber, uma enxurrada de críticas, ponderações e questionamentos surgem aos borbotões, enquanto políticos e politiqueiros se desdobram na busca incessante por argumentos que aliviem suas barras.

No quesito econômico o país navegou nos últimos anos por águas até que brandas, em certo ponto, se compararmos com as situações encontradas mundo afora. E então os olhos do mundo para cá se viraram, oportunidades de todos os tipos começaram a surgir, o governo mostrou-se suscetível até demais a aceitar o aporte dos maiores eventos esportivos do planeta. Agora temos ai, em vias de bater as nossas portas, uma edição de Copa do Mundo 64 anos depois, além de nossos primeiros Jogos Olímpicos.

A parafernália governamental pôs-se de prontidão para atender as demandas insufladas de FIFA e COI. Derrames de verba pública, além de uma enorme boa vontade para atender todos os encargos de seus cadernos cheios de mandos e desmandos.

A população mostra-se reticente quanto aos benefícios desses mega eventos, bem como a utilização de dinheiro público em estádios, pistas, piscinas e afins. Enquanto paira no ar a incerteza sobre investimentos em infraestrutura, dentro do que se convencionou chamar de “legado”.

Aparentemente é tudo uma enorme novidade. Mas não vem de agora o gosto do país por receber esses eventos de repercussão internacional.  A tal “síndrome de vira-lata” que assolou o país por anos sempre serviu de mote para uma busca por mostrar ao mundo que é sim este um país capaz de mobilizar-se em prol de algo grande.

Desde mundiais de basquete, vôlei, judô, Pan-Americanos, Copa América e tantos outros. Vem de situações quase centenárias a vocação do Brasil para ser, ao menos por aparência, um centro de excelência na confecção e realização de mega eventos esportivos.

O que parece ter mudado bruscamente é a motivação para realiza-los. Se em 1950 a Copa do Mundo que realizamos fora, sobretudo, um produto para mostrar ao mundo o novo Brasil de Getúlio e Juscelino, hoje a ideia que se tira de tudo o que ocorre em nossos quintais é que há muito a se provar, só não se sabe bem a quem.

Em 1950 a maior parte dos estádios usados já existiam, o investimento foi pontual e se não houve uma grande revolução estrutural no país, ao menos o legado dos estádios existiu. Não a toa o Maracanã tornou-se o maior palco do esporte Rei do planeta.

Mas e agora, o que será das “Arenas” construídas mediante investimentos escusos em localidade com pouca ou nenhuma tradição futebolística? Bilhões investidos em construções que irão receber no máximo 3 ou 4 jogos de Copa, pra depois servirem de ponto turístico?

Reformas bilionárias que de nada servirão para o mega evento seguinte, as Olimpiadas, que irão demandar novas inserções no Maracanã, por exemplo. Reformas e construções milionárias que já haviam sido empregadas no Pan de 2007, no Rio de Janeiro. Este sim, um evento que serviu de abre alas para a candidatura da cidade para receber os Jogos Olimpicos, que depois veio a se confirmar.

A gana chega a ser profana. O Engenhão é o maior exemplo da ineficiente gestão de recursos. Ao custo de quase meio bilhão à época, mostrou-se um desastre arquitetônico que quase eclodiu em desastre de fato, tendo suas estruturas da cobertura ruindo recentemente. Não fosse o Botafogo assumir a gestão do estádio e teríamos ali, em pleno Rio de Janeiro, um mausoléu dedicado à ode da gastança desenfreada.

Ainda assim, o Engenhão não servirá sequer de espaço para treinamentos ao longo da Copa. Em contrapartida, no quesito infraestrutura e o que de fato poderia ficar de legado para anos posteriores, nada ou quase nada se vê.

O Brasil está sim no centro do mundo dos mega eventos. As pessoas que coordenam estas ações é que parecem viver em seus mundos, paralelos, tudo girando em torno dos próprios umbigos.

imagem                                                                     Imagem extraída do site: http://internacionalizese.blogspot.com.br

Mas depois de olhar todo o contexto dos meandros desses Mega Eventos que irão aportar no país, cabe a pergunta:

O que são Mega Eventos?

Mega Eventos (esportivos) são eventos que transcendem a simples reunião de destaques individuais ou coletivos de determinado setor. São, antes de qualquer coisa, um ponto de partida para reformas, reviravoltas e revoluções estruturais, econômicas e sociais nos locais onde estão por ora hospedados.

Giram em torno deles situações que fogem aos costumes e retóricas válidas ao local até então. Com investimentos e viabilidade de lucros inimagináveis até aquele presente momento. O local a receber um mega evento passa a ser, ao menos por aqueles dias, o centro de todas as atenções do mundo.

A mídia do planeta se volta para aquele ponto do globo, sendo dali, por aqueles dias que se sucedem, mostrado ao resto do planeta em tempo real. Dai a necessidade quase paranoica em se transparecer algo que muitas vezes aquele local não é. De plenitude organizacional, de infraestrutura irretocável, de espelho para novos tempos.

Podem ser, de fato, situações factíveis. Desde que se pense no macro, não no micro. As beneficies aplicadas a uma cidade sede de mega evento se mostra ao término do evento. Nos meses e anos seguintes, tendo impacto positivo para a população local.

São os Mega Eventos, desde que feitos com planejamentos voltados para os interesses locais, dando então suporte para sua realização em escala mundial, um caminho certo para a obtenção de substanciais melhorias urbanas.

DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?

Da reinauguração do Maracanã, pouco ou quase nada se tira de lição futebolística. A Inglaterra, que já não é uma seleção top, ainda veio remendada, com seus jogadores vindo de final de temporada e a seleção da CBF sequer tem um time, muito menos esquema tático definido. Gols bonitos, alguma jogada ou outra a se destacar e nada além disso.

 

Antes e depois, porém, muito se pode ponderar, achar e cravar. Entretanto, nada do que se passou dentro de campo. Tudo do que se passou fora e no seu entorno.

 

De todas as milongas, ameaças de suspensão do amistoso, da certeza da manipulação das entidades envolvidas para que o jogo acontecesse. Do que já vem antes, desde a enfadonha reforma a custos exorbitantes, tudo com dinheiro de um público que a bem verdade pouco ou nada irá usufruir do(s) estádio(s), que foi sim feito para ser a pedra fundamental da pasteurização do público e de sua progressiva transformação de torcedor em plateia. Do pouco caso governamental, do descaso governamental que passou por cima de leis e por cima passou o trator em um monumento tombado pelo patrimônio histórico como se fosse um amontoado de lixo a ser reciclado. E de tantas e tantas outras situações que eu poderia ficar aqui até 2014 mencionando. De tudo isso, mais que a certeza que esses estádios e essa Copa não são para quem sempre torceu, nos dá ao menos as bem delineadas janelas por onde podemos olhar e separar quem é quem nesse jogo de interesses.

 

José Trajano entrou neste mérito no Programa Linha de Passe dessa semana. No que eu concordei com ele em 100%.

 

A Copa do Mundo de 2014 servirá para definitivamente nos mostrar quem é quem. Dos que investigam, levantam informações e não se conformam com o simples despejar de dinheiro alheio em obras faraônicas, que passam por cima da secular história construída. Ante a gente que diferente da gente, omite, fantasia, faz jogo de interesses com parceiros comerciais, entram e divulgam o oba-oba desmedido.

 

Não é de hoje que me coloco contrário a realização das Copas e Olimpiadas por aqui. Não por ser adepto do complexo de vira-lata, muito pelo contrário. O Brasil tem hoje condições de atrair qualquer tipo de parceiro comercial que queira investir em infraestrutura, em construção de novos estádios e complexos poliesportivos de todo tipo. Não o faz por que não quer. Ou por que não deixam. Ou por ambos. O que eu não sou é adepto do pachequismo cego. Sou contrário a abertura de pernas que todo país precisa realizar para Fifa, COI e afins, se quiser mesmo receber em seus quintais o pasteurizado produto dessas entidades.

 

Sou contrário ao jornalismo/fantasia/global que tentou a todo custo omitir a precariedade no entorno do “Maracanã”, com seus canteiros de obras e restos de materiais utilizados. Sou contrário ao fantasioso/ufanista/milongueiro discurso do ex fenômeno dos campos, que usa de seu apelo midiático, dentro do maior espaço midiático do país (uma bomba atômica midiática), para elogiar “as poltronas Fifa”, o “padrão Fifa”, a coxinha Fifa, o urinódromo Fifa. Mas que do entulho Fifa nada menciona.

 

Prefiro o jornalismo investigativo, chato para muitos, mas que aponta a verdade por trás da fantasia instaurada. Prefiro ler o que tem a dizer os “cheios de marra” a escutar o despejo de purpurina de sua santidade “o fenômeno”, do ufanismo sempre fora de hora do amigão de todo mundo, o narrador do povão.

 

Será mero acaso a última Copa ter sido na África do Sul, a próxima ser aqui, depois na Russia e a seguir no Catar? Países com altas taxas de corrupção. Certamente não é.

 

A Copa já nos tem essa serventia: separar o joio do trigo. Definitivamente não será mais possível ficar em cima do muro.

 

De que lado você está?

globo

Chazinho de Coca – Pensando como Ricardo Teixeira.


Discussão levantada em nosso programa de rádio na última segunda-feira -O novo técnico da seleção da CBF.

Sem “bla, bla, bla”, está na cara que Felipão é o favorito e o preferido da nação. Em minha mais recente coluna falei sobre o triangulo amoroso entre Palmeiras, Felipão e a seleção.

Depois surgiu a informação de que Leonardo era a bola da vez para assumir o ex-cargo dunguistico.

Ricardinho, “o Teixeira”, disse que quer um trabalho a longo prazo, até para que seja feita uma reformulação e coisa e tal. Ainda alfinetou a sua invenção, Dunga, ao dizer que de nada importa ganhar Copa América e das Confederações, se no que vale o time faz papelão.

Ele adora se eximir de culpa, né? O Dunga lá esteve porque ele escolheu. Assim como inventou o Lazaroni em 90. Lamentável!

Dunga teve 4 anos para trabalhar e o resultado está aí. Então esse papinho mole de que é necessário trabalho a longo prazo não me convence. Veja só como foi o trabalho de Felipão em 2002. Menos de 1 ano a frente da seleção e sucesso absoluto.

É óbvio também que a menina dos olhos dourados do Ricardinho da CBF é a Copa de 2014 e toda a politicagem que irá envolvê-la. Olimpíadas de 2012 deve estar na 4ª ou 5ª colocação na escala de prioridades. Mas a de 2016 não. A bendita será aqui no Brasil, dois anos após a Copa do Mundo que também será aqui. Ou seja, é a chance dourada do figura, além daquela rapaziadinha cheia de ginga do COI, tornarem-se heróis da pátria amada salve e salve.

Minha interpretação desses fatos?

Leonardo, um sujeito boa pinta, educado, o avesso do Dunga, mas ainda inventado e sem casca grossa, assume a seleção agora, conduz o escrete canarinho até as Olimpíadas de 2012 e se ganhar a medalha de ouro, trará uma dorzinha de cabeça extra ao Ricardinho, mas se não ganhar, como é tradicional da seleção brasileira em jogos olímpicos, a desculpa para derrubá-lo estará pronta. Mesmo que vença, derrubar Leonardo é bem menos traumático do que um Mano Menezes ou um Muricy Ramalho, que são os nomes cogitados caso Felipão não assuma agora.

Rodo dado em Leonardo, teriam então os nossos cartolas um novo ciclo de 4 anos. Um novo ciclo de 4 anos em que Felipão poderia conduzir a sua maneira, sem Palmeiras para dividir suas atenções.

“Tá bem louco, Jão? De 2012 para 2014 são apenas 2 anos”

Verdade. Mas para 2016 são 4 anos. Quatro anos que englobam a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016, ambas aqui no Brasil.

Não é um cenário perfeito?

Até que pensar com a cabeça Ricardistica não é de todo mal. Eu mesmo faria isso se fosse ele.

Mais detalhes dessa epopéia sugerida podem ser encontrados em nosso programa da última segunda-feira. Acesse o podcast na lateral direita do blog.

Cheers,