Por essas e outras que eu prefiro o Maradona

Pelé baixou a cabeça para Ricardo Teixeira mais uma vez.

Topou ser o garoto-propaganda da Copa de 2014, aparentemente deixando de lado as divergências entre ele e o cartola máximo do futebol brasileiro. Parece que nem o fato de ter que aparecer nas ocasiões oficiais ao lado de Helio Viana, seu ex-sócio (e pelo visto ex-desafeto) o impediu de fechar o acordo.

Aí eu digo: é por essas e outras que eu prefiro o Maradona.

(Em tempo: quem ainda tiver a oportunidade, a Placar de fevereiro publicou uma entrevista sensacional com Diego. Vale a pena.)

La Mano de Díos – O Imperador e o Mestre

O Imperador e o Mestre

Pois é, meus camaradinhas, ontem foi um dia de rei. Tive duas alegrias na mesma noite, em dois lugares diferentes. Como não sou clone, já adianto aqui: estava fisicamente em um lugar e em espírito em outro. E graças às benesses da modernidade pude acompanhar os dois acontecimentos de um modo bem feito. Aliás, antes que as pedras sejam atacadas, já adianto: vi o jogo do Tricolor hoje de manhã, aproveitando a folga do trabalho. E eis aqui o que tenho a dizer:

Estive no show do Mestre. Na minha opinião, o último gênio da música vivo, já que Miles Davis e Frank Zappa estão se divertindo em outro lugar há algum tempo. Mas ontem vi o Mestre Dylan, na altura de seus 70 anos, dar canseira em muito moleque por aí.
Dylan é o tipo de cara que tem perfeita noção do que fez e do que representa, e por isso sabe de toda a responsabilidade que tem, diferentemente de muitos “artistas” por aí e – oras, por que não? – atletas. Seus shows são um momento à parte em sua carreira, e o de ontem não foi diferente. Reinventando seus clássicos, apresentando ao vivo novas canções de seu excelente último disco, Dylan mostrou porque é um dos artistas mais influentes do século XX, apresentando um espetáculo muito mais do que meramente musical. Ouvir Dylan ao vivo é uma experiência única.

E no momento em que os primeiros versos de Leopard-Skin Pill Box Hat eram cantados com sua voz rouca, longe dali meu espírito se agitava. Entrava em campo o time do São Paulo Futebol Clube, no primeiro jogo da Libertadores no Morumbi esse ano. Como é difícil estar em um lugar formidável e lamentar não estar também em outro!
E no Morumbi a coisa foi um pouco diferente do que estava sendo no Via Funchal. O Tricolor não correspondia às expectativas. Com Richarlyson e Zé Luís improvisados e sem um meia de ofício, a ligação com o ataque era feita à base do chutão na zaga, e mais uma vez foi Jorge Wagner quem assumiu a responsabilidade. Vale dizer que Zé Luis mostrou raça e explorou pela direita aquilo que desde o começo todo mundo vêm pedindo, as jogadas de linha de fundo.
Um que está sobrando nesse time tricolor é o Fábio Santos. O careca não acerta um passe, anda perdidão ali no meio de campo e – pior de tudo! – é o grande responsável pelo desmanche da dupla de volantes de 2007. E por falar em volante, convenhamos, Richarlyson em 2008 não está rendendo nem em sua posição, quanto mais na lateral. Um time que tem pretensões de ser campeão da América não pode jogar com laterais improvisados. Abre o olho, Muricy!

Mas se no Via Funchal a noite era do mestre Dylan, no glorioso Cícero Pompeu de Toledo quem roubava a cena era o Imperador Adriano. Foram dele os dois gols, um de cabeça, à la Adriano, e uma sobra de um petardo de Hernanes. Ontem, Adriano convenceu e mostrou futebol, brigando o jogo todo, tentando de todo o jeito e no fim conquistando seus merecidos gols. Ontem ele fez valer o título que reivindica, mas falta muito para o time do Tricolor justificar a que veio.

No fim da noite, posso dizer que estava feliz. Feliz porque vi um show de Dylan – um cara que não precisa mais provar nada e mesmo assim encheu os olhos – e um espetáculo de Adriano – esse sim que ainda tem que mostrar serviço, mas pelo menos provisoriamente calou este que vos fala.

Pois é, amiguinhos, a coluna de hoje não poderia terminar sem antes dar os devidos parabéns a uma das figuras mais sensacionais do futebol: felicidades, Zico! Que seu futuro seja repleto de tantas glórias quanto é o seu passado e está sendo seu presente! É para você as duas músicas do dia: Jorge Ben – Camisa 10 da Gávea e Bob Dylan – Forever Young.

La Mano de Díos – Os Intocáveis

Os Intocáveis

Rogério Ceni, Miranda, Hernanes, Jorge Wagner e (por que não?) Borges.

Esses são os intocáveis do Tricolor hoje.

Os dois primeiros que seguram a onda numa defesa que não está tão infalível esse ano. Rogério Ceni fechando o gol e salvando tudo sempre quando o time precisa (alguém lembra das duas defesas do jogo contra o Nacional na Colômbia?). Miranda que continua sendo o xerife da zaga, unânime e firme, um jogador que não se discute.

Os outros dois que dominam o meio. Hernanes – talvez a mais grata surpresa do futebol brasileiro nos últimos tempos, jogando como primeiro ou segundo volante e agora até dando umas de meia disfarçado. O símbolo máximo dos tais volantes modernos que toda a mídia comenta. Jorge Wagner – não há discussão. É dos pés dele que sai tudo que o São Paulo vem fazendo no ataque, suas bolas paradas hoje tão ou mais venenosas que as do goleirão-artilheiro.

E Borges? O cara que ninguém dava nada. Mas que fez 4 gols nas últimas 4 partidas que jogou. Que era o terceiro (talvez o quarto, depois que Eder Luiz chegou) atacante do escrete do Muricy. E que pouco a pouco vem se firmando como o primeiro.

O “Imperador” Adriano? Ainda não vi jogar. Mas falar, ah, isso ele faz demais.

Rapidinhas: Sabe quando Fabinho Capixaba faz outro gol como aquele que fez ontem pelo Mirassol? No fim da carreira.
Valdívia é o cara que todos os times queriam ter hoje. E apanha muito! Além de ser bom de bola tem culhão. Não é fácil aguentar esses beques arranca-toco que vêm marcando o cara…

Pois é, meus queridos, a de hoje foi curtinha, mas vão dizer que não concordam? Grande abraço para vocês, ao som de Bob Dylan – Subterranean Homesick Blues, porque quarta-feira tem show do cara e jogo do Tricolor! Vai ser triste não estar nos dois lugares ao mesmo tempo e difícil acompanhar as duas coisas…

Chazinho de Coca.

Lampejos, “choro”, gol e cerveja. – Um típico domingo de clássico!

Já começo a sentir falta do tempo que me sobrava. Mas o ser humano é pródigo em se adaptar aos diferentes momentos de sua vida e eu não fujo a regra.

Outro que não foge a essa regra é o meio campista, craque, agitador, já folclórico e ótima figura, o chileno do Palmeiras – Valdívia.

Ele foi o nome do clássico de ontem. Literalmente acabou com o jogo! Decidiu a partida do jeito que esperamos que os diferenciados decidam. Chamou a atenção e aresponsabilidade para si, driblou, armou, deixou companheiros na cara do gol, apareceu na área pra concluir, cabeceou, agitou e não cavou o tal pênalti que realmente ocorreu, mas que não era um BAITA lance claro pra se crucificar o juizão. Valdívia foi o nome do jogo e o nome positivo da rodada, já que o negativo ficou com o “Imperador” do Morumbi.

Luxemburgo mais uma vez insistiu em deixar Alex Mineiro isolado no ataque e pela escalação sem sentido, do bom Wendell. Mas a ótima partida do camisa 10 alviverde, supriu bem a deficiência ocasionada por essas ferocidades e teimosias Luxemburguianas”

Já Mano Menezes fez o que dava pra ser feito. Sem contar com meio time do que pode se considerar titular, ele escalou bem a equipe, que chegou em muitos momentos a dominar territorialmente o jogo, mas infelizmente para ele, a condição técnica de seu elenco não permite vislumbrar um bom aproveitamento desse “domínio” territorial.

No segundo tempo, Luxa finalmente enxergou que o jogo estava muito afunilado, abrindo mão então de seu homem de área e colocando Kleber pela direita e Denílson pela esquerda. O jogo palmeirense melhorou muito e logo se definiu o merecido resultado.

Destaque da partida: Valdívia

Menções honrosas ao ótimo goleiro Julio César e a dupla de zaga corintiana. E do lado palmeirense, o sensacional zagueiro Henrique, o sempre eficaz Pierre e Denílson que entrou e teve boa movimentação.

Já do lado de cá, agradeço aos marotos Anderson e Tiago que trouxeram a cerveja cheia de ginga para acompanharmos juntos ao clássico.

Escrevo a coluna ao embalo de: Grant Lee Buffalo – The Hook

Os dois lados da moeda: O trivunvirato e a farsa

Após marcar dois gols no primeiro jogo do São Paulo no campeonato paulista – curiosamente contra o líder Garatinguetá – Adriano, “o Imperador”, afirmou que não queria mais esse tal apelido lhe fosse atribuído. Queria ser, simplesmente, Adriano. Mas, como não se pode ser tudo o que se quer, será que o “Imperador” poderia tornar-se “plebeu”?

Adriano veio ao São Paulo para recuperar-se após péssimas temporadas na Itália. O clube alardeia seu potencial para fazê-lo, diz que sua infra-estrutura está aberta para o atleta que estiver disposto a utilizá-la. Em um segundo momento, como parte dessa recuperação, pareceu interessante que o jogador passasse seis meses atuando pelo time do Morumbi.

Dai o projeto de “recuperação” de Adriano começa a misturar-se com idéias menos “pudicas”.

O São Paulo é o time mais competente no Brasil no que se refere a marketing. Imediatamente foram tomadas as medidas para capitalizar em cima do “Imperador”, ofertando-lhe a camisa 10. Em poucos dias o produto já estava nas lojas, sucesso de vendas garantido. Fosse Adriano o plebeu, tal medida seria tomada? Obviamente não.

A mídia também quis sua fatia e, em momento algum, deixou de atribuir-lhe o codinome. Não seria possível ignorar a presença do “Imperador” entre nós, tapuias, cada vez mais acostumados a ver em nossas equipes frutos promissores ainda verdes ou heróis de outrora que há muito caíram do pé. Adriano imperou nos noticiários e, tal qual o título que lhe é atribuído impõe, um séqüito de repórteres – inclusive importados da Europa –
formou-se em torno do jogador.

E a tal “recuperação”? Parole, parole…

Não apontamos o time e a mídia para excluir a responsabilidade do próprio jogador pela situação em que se encontra. As benesses que se oferece a um Imperador são sedutoras e deve ser difícil não ouvir o cantar das sereias. Com todas as facilidades que tal condição lhe confere, que como dissemos, ao invés de contestada foram, sim, fomentadas, Adriano voltou a imperar, infelizmente não nos gramados.

Um triunvirato (clube, mídia, jogador) insano que jamais conduziria alguém do trono para as ruas – ou, no caso, para os campos. Uma metáfora para se compreender como, em nossos dias, é elevado à realeza alguém que não tem meios de sustentar tal condição.

Futebol e Bons Sons!