Todos os posts de João Paulo Tozo

Coordena e escreve para o Ferozes FC. É blogger do canal Esporte Interativo, colunista do SP Jornal e Colaborador do Portal Terceiro Tempo (Milton Neves). Já teve banda e brinca de ser DJ nas festas do FFC e quando convidado por outros eventos. Freqüenta estádios de futebol desde a época em que sua mente ainda não registrava fatos para a eternidade. Apaixonado por futebol e música. É fã de rádio e um entusiasta das transmissões esportivas feitas através dele. É adepto da imprensa esportiva que desce do muro. Seja do lado de dentro ou de fora. É fundador da Grife FFC e atua nas 3 frentes: Blog/Site, Programa de Rádio e Eventos.

SOBRE O QUE EU GOSTO

Por: João Paulo Tozo

Eu sou palmeirense e chato. Assim mesmo, nessa ordem ai. Palmeirense chato é pleonasmo, mas se somados os “adjetivos” chegamos a uma definição bem justa do que eu sou. Palmeirense e chato, um palmeirense chato.

Na página 333 do sagrado livro “Palmeiras, 100 Anos de Academia”, o livro oficial do centenário alviverde, em minha raquítica contribuição à obra, o título que escolhi para ficar na eternidade foi “O Palmeiras é o Meu Estilo de Vida”. E creio que isso defina tudo. Inclusive não gostar de piada besta depois que meu time perdeu um clássico.

Outra coisa que eu gosto bastante também são os êxitos dos justos, a sobreposição do fraco ao mais forte, dos desenganados que ludibriam sistemas e imposições, dos descartados que superam adversidades, da volta por cima. Sou chegado numa superação, entende? Acredito e defenderei o seu e o meu direito em sonhar.

E toda essa volta é só para dizer que hoje o dia está uma merda, desde o infeliz pênalti do Bruno Henrique no Guilherme Arana que tudo está uma grande merda. As invencionices do Cuca, as alterações equivocadas do Cuca, o sujeito com a calça roxa do Cuca ao meu lado na arquibancada, o Mina armando o time, o Mina jogando de centroavante, o Dudu não sabendo para que lado correr, o Tchê Tchê, o Borja, o Egídio, os 0X2 para o Corinthians. Uma vastidão de merdas muitíssimo bem aproveitadas pelo improvável Corinthians.

Um clube que não serve de exemplo para quase absolutamente nada atualmente. Gestão equivocada, a pior aquisição de estádio possível, dívidas aos borbotões, tentativas de impeachment recentes, enfim, o mais improvável líder invicto de um BR que não se poderia imaginar.

Liderado por um técnico sem grife, que fora preterido por profissionais com mais cartaz, mas com muito menos entendimento que o responsável pela formatação do excelente sistema defensivo das eras Tite e Mano. Da improvável excelência do desenganado e anacronicamente letal Jô.  Do protagonismo low profile de Jadson, aquele mesmo que “sem o Renato Augusto não joga nada”. De Romero, a eterna “piada” dos programas esportivos do almoço, que não consegue fazer uma embaixadinha, mas parece ir contra tudo o que se sabe (ou se imaginou saber) sobre futebol. Esse time do Corinthians é tão improvável, que mesmo em meio a um punhado de exemplos do que podemos chamar de superação, teve condição de fazer surgir o melhor lateral esquerdo do futebol BR.

O Corinthians não é coitadinho. Está, aliás, na contramão disso. Continua sendo o clube da RGT, o preferido “dessa imprensa de gambá, FDP” e dos erros administrativos que podem ainda lhe ser cruciais no médio/ longo prazo.

Só que nada disso parece abalar o inabalável time de Fábio Carile. Enquanto tudo parece fragilizar o até outro dia favorito a ganhar tudo.

A sinceridade de Cuca em assumir que não consegue dar padrão ao seu trilhardário Palmeiras nas coletivas é louvável. Assumir a culpa por terminar o clássico com Mina de centroavante também. Dizer que pode repetir a dose se necessário, não. É inadmissível depois de tanto estardalhaço, tanta expectativa criada, que o atual campeão brasileiro use como “carta na manga” o melhor zagueiro das Américas na função de homem gol.

Tem que se virar, parar de inventar rodas quadradas e, diante de tantos cenários adversos, usar cada um na sua. Zagueiro é zagueiro, lateral é lateral. Por melhores valores que se tenha, o nível do futebol BR é hoje muito parelho para se garantir nas individualidades. Um time organizado e taticamente responsável tem tudo para prevalecer diante de outros que (não) se bancam em elenco farto.

SAO PAULO, BRAZIL - JULY 12: Jadson, #10 of Corinthians celebrates after scoring their first goal during the match between Palmeiras and Corinthians for the Brasileirao Series A 2017 at Allianz Parque Stadium on July 12, 2017 in Sao Paulo, Brazil. (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)
SAO PAULO, BRAZIL – JULY 12: Jadson, #10 of Corinthians celebrates after scoring their first goal during the match between Palmeiras and Corinthians for the Brasileirao Series A 2017 at Allianz Parque Stadium on July 12, 2017 in Sao Paulo, Brazil. (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)

O GRANDE MONTILLO

 

Por João Paulo Tozo

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Ao contar a história de Montillo no futebol, adjetivos como “digno”, “integro” e “honesto” precisam necessariamente vir antes de qualquer tentativa de enquadra-lo como craque ou apenas um bom jogador. A segunda parte compete à visão e entendimento de jogo de cada um. Entender ser Montillo um sujeito raro no esporte é obrigação.

Foram seis meses de Botafogo, um punhado de jogos, nenhum gol marcado, cinco contusões e uma infinidade de exemplos que precisamos olhar com muito carinho e atenção e reproduzi-los também em nosso dia a dia.

O incomodo com suas lesões foram além da impossibilidade de ajudar o time em campo, mas também a de lesar o clube com seus altos vencimentos. A cada lesão uma tentativa de fazer com que a direção não precisasse pagar seus salários até que pudesse voltar a atuar. E o Botafogo rechaçou de prontidão todas as tentativas. Foram dignos, jogador e clube.

Sua coletiva de despedida precisa necessariamente causar comoção em qualquer um que ame o esporte e que queira ter a retidão como conduta de vida. Aos 32 anos, um jogador de alto gabarito encerrou sua carreira por entender não ter mais condições físicas de oferecer o que dele se espera e o que ele próprio sabe que poderia oferecer.

Que o futebol forme outros Montillos. E que não o perca agora por completo.

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DESEMPENHO COLETIVO X INDIVIDUAL

CUCA

Muitos são os paralelos entre os inícios de trabalho de Cuca junto ao Palmeiras em 2016 e 2017. No sagrado ano de 2016, em 5 jogos foram 4 derrotas, veio também na sequencia a eliminação na 1ª fase da Libertadores. Importante lembrar que na competição sulamericana o treinador pegou o time já em situação muito complicada e, ainda assim, chegou vivo a última rodada, vencendo seu jogo e sendo eliminado pela combinação de resultados.

No promissor ano de 2017 a situação quase que se repete. Em 5 partidas realizadas são 3 derrotas e apenas 2 êxitos, mas duas classificações garantidas: Libertadores e Copa do Brasil.

O que muda entre essas temporadas é a afirmação de elenco. Lá em 2016 eram muitos os jovens e promissores. Tche Tche, Mina, Vitor Hugo, Roger Guedes e a joia Gabriel Jesus. Além de jogadores já conhecidos que surpreenderam sob o comando do treinador, como Moisés.

Coube a Cuca encorpar aquela equipe e tirar de cada peça o seu melhor. Ao final do ano o título incontestável alçou essas peças a novos patamares. O investimento no elenco para 2017 foi ainda maior, a expectativa para 2017 é maior.

Do hiato de 5 meses até seu retorno, Cuca viu o Palmeiras perder a maior revelação BR desde Neymar, mas compensar a saída com contratações de muito peso: Felipe Melo, Guerra e o maior destaque do futebol sulamericano em 2016, Miguel Borja.

O futebol apresentado nesse 2017, no entanto, não retrata a expectativa e a certeza do quanto pode render esse time. São duas classificações, mas em nenhuma delas o time dá ao torcedor a segurança necessária. O próprio Cuca sente isso e vem promovendo mudanças táticas aos borbotões. Algumas delas chegam a parecer sem sentido. Ao mesmo tempo algumas insistências me fazem crer que há por parte do treinador receio em mexer em certas peças que foram fundamentais em 2016, mas que em 17 não repetem aquelas atuações, sobretudo Zé Roberto e Tche Tche.

Ontem na coletiva após o jogo contra o Inter, quando Cuca disse que “o elenco desse ano é melhor, mas o time titular perdeu qualidade com as saídas”, além de dizer que “para equilibrar essa perda técnica os que estão ai hoje precisam se desdobrar como faziam os que saíram na virada do ano”, Cuca para mim mandou um recado direto ou iniciou uma preparação para o que está por vir.  Fato é que o time não marca como marcava em 2016. E se você olhar para o ano passado não havia grandes marcadores na formação base, mas havia a dinâmica, proporcionada por aqueles jogadores e que dava ao time a condição de se reorganizar de modo a sufocar as saídas de bola adversárias. Isso não tem acontecido agora. Guerra é extraclasse na criação, mas não recompõe como Moisés. Borja sente demais a mudança de país e a diferença de velocidade do que acontece na Colômbia e agora no Brasil, sem contar que não é do mesmo gabarito de Gabriel Jesus e nem tem a mesma entrega.

Está claro que a queda no futebol de Tche Tche está atrelada a ausência do lesionado Moisés, mas Felipe Melo também não é um cão de guarda, Jean muito menos. Guerra, titular absoluto desse meio campo, não tem essa característica de recomposição defensiva. Ontem quando recuou Felipe Melo para a zaga e entrou com Tiago Santos na meia, combinado com o recado na coletiva, ficou claro que o treinador entende que será necessário achar espaço para o melhor marcador do elenco. Tiago Santos, além do gol da classificação, reduziu os espaços na criação do Inter. Poucos foram as jogadas de grande risco após sua entrada.

Deve sobrar para Tche Tche. O problema é que o ótimo meio-campo, uma das revelações de 2016, já mostrou ao longo desse ano que não lida muito bem quando mexem em seu terreno. Expos publicamente sua insatisfação com o reposicionamento feito por Eduardo Batista, por exemplo. Creio que esteja ai o receio de Cuca em promover alterações contundentes, dai o excesso de testes e o aumento no número de escolhas erradas.

Cuca não é Eduardo Batista, está ai para liderar esse time do jeito que for necessário, ele tem o peso e a ascendência que talvez nenhum outro técnico no BR pudesse ter no Palmeiras. Se as atuais peças não lhe dão a dinâmica que teve em 2016, o elenco montado para 2017 lhe dá peças para compensar isso.

 

SANTA INOCÊNCIA

Post de 2 de maio

 

Eu ainda não consegui concluir se é mais inocente quem se surpreendeu com o declarado posicionamento político do Felipe Melo ou se é o próprio Felipe Melo ao declara-lo como o fez. De cada 10 palavras proferidas em seus acalorados discursos, 6,7 envolvem a religião. FM é um religioso fervoroso, o que já o coloca dentro de um alinhamento discursivo identificado com o conservadorismo. E aqui não emito juízo de valor, OK?

Felipe Melo não é ídolo do Palmeiras. E não por ter declarado seu apoio ao Bolsonaro, mas por não ter tido sequer tempo de conquistar em campo o direito de ostentar essa alcunha.

Em campo FM tem sim conquistado um séquito de fãs por conta de suas atuações, já que é muito bom de bola, além de sua entrega incomum. Consegue dentro das quatro linhas ser um líder – mais um deles. Líder, no entanto, não significa ídolo. Ídolos no atual elenco são Fernando Prass e Dudu (pessoalmente coloco Zé Roberto também).

Mas é bizarro notar como a porrada dada em Mier na última quarta-feira alternou sua simbologia. O que era um soco na cara do racismo e da intolerância, hoje é muito mais um ato de autodefesa. A mim não convence o papo inconformado com as ofensas uruguaias e ao mesmo tempo alinhar apoio a Bolsonaro.

Ainda assim, não espero que o torcedor alviverde mude sua conduta com o jogador Felipe Melo. O canto dedicado a ele antes de cada partida deverá continuar sendo entoado, desde que FM continue também entregando em campo os 101% que entrega desde sua estreia.

Ídolos, no entanto, se constroem muito também de suas virtudes além do campo de jogo, e a mim, sendo aqui bem egoísta na análise, FM é um improvável personagem merecedor de irrestrita admiração.

SAO PAULO - SP - ESPORTES - 17/01/2017 -  O volante Felipe Melo e apresentado oficialmente apos treino do Palmeiras no CT Academia de Futebol, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, nesta terca-feira (17). ICARO LIMAVERDE/ESTADAO CONTEUDO
SAO PAULO – SP – ESPORTES – 17/01/2017 – O volante Felipe Melo e apresentado oficialmente apos treino do Palmeiras no CT Academia de Futebol, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, nesta terca-feira (17). ICARO LIMAVERDE/ESTADAO CONTEUDO

A MERECIDA VITÓRIA CORINTIANA EM UMA NOITE PARA O PALMEIRENSE ESQUECER

Foram 66% de posse de bola alviverde contra apenas 34% do alvinegro, além de 13 finalizações contra oito. Nos cruzamentos outra larga vantagem, 28X12. O Palmeiras acertou 372 passes contra somente 153 do Corinthians.

Não parece, mas o Corinthians mereceu vencer o primeiro derby do centenário duelo. Claramente inferior tecnicamente, quem ditou o ritmo do jogo foi justamente o dono da casa. E não haveria outro modo de encarar o campeão brasileiro se não imprimir um jogo físico, de poucos espaços e pressão na saída de bola. Caberia ao Palmeiras sair desse jogo claramente favorável ao adversário e colocar a bola no chão, distribuir melhor seu jogo com inversão de lados e mais movimentação do meio campo. Não o fez, quis entrar no duelo pegado do Corinthians e, neste quesito, perdeu feio.

Ainda assim Keno poderia ter definido o duelo na primeira etapa, quando mandou bola no travessão de Cássio e perdeu – sim, perdeu- gol feito após lançamento primoroso de Felipe Mello. O Corinthians tinha em Gabriel o expoente de seu jogo, vibrado, pegado e de superação. E quase saiu de uma linda pancada de fora da área do ex-palmeirense o gol corintiano.

E ao falar de Keno, entro nos (de) méritos individuais alviverdes. Keno foi muito mal, tanto no aspecto técnico quanto no aspecto moral. Por mais que no futebol seja prática corriqueira o uso de aspectos de persuasão, tem uma Sapopemba de diferença você simular uma falta e apontar para um jogador adversário uma culpa que não lhe compete, que foi exatamente o que Keno fez na lamentável e estapafúrdia expulsão de Gabriel. Um lance já exaustivamente discutido e que não deixa nenhuma margem para ponderação. Foi sim um erro crasso do juiz, que poderia tranquilamente ter dado ouvido aos conselhos do 4º árbitro e não o fez. E Keno, ao ver que o vermelho fora aplicado ao jogador errado, olha para o banco alviverde e comemora. Vexatório!

Para a segunda etapa, tendo um jogador a mais e com Felipe Mello com um corte muito feio no supercilio, era muito mais jogo Eduardo Batista manter Raphael Veia no jogo para ser o armador do time e entrar com Guerra na vaga de Felipe Mello. As trocas de Eduardo foram basicamente seis por dúzia, já que na sequencia Felipe Mello pediu para sair e em seu lugar ele mandou Thiago Santos. Taticamente nenhuma mudança ao jogo de ataque contra defesa que virou a partida, onde o Palmeiras teve pouca ou quase nenhuma efetividade. Uma cabeçada de Keno a queima roupa em que Cássio fez grande defesa e um gol impedido de Mina em uma infindável maratona de cruzamentos quase sempre muito bem anulados pela defesa corintiana.

No mesmo dia e que o Palmeiras viu Lucas Barrios ir para o Grêmio, viu também Alecssandro entrar e não fazer absolutamente nada, além de tomar um cartão amarelo merecido, em mais uma substituição sem nenhum acréscimo tático de Eduardo Batista.

E foi no gol corintiano, onde a falha de um Guerra que claramente não entendeu ainda o que significa um derby contra um vigoroso Maicom, que em seu bote certeiro praticamente deu o gol da vitória ao alvinegro marcado por Jô, fica clara a maneira com que Fábio Carille preparou o seu Corinthians para encarar um derby centenário como ele deve ser, enquanto o Palmeiras de Eduardo Batista, com certa empáfia, entrou para disputar apenas mais um jogo de Campeonato Paulista.

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